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No Brasil sempre foi claro o alvo da polícia: Pretos, pobres, nordestinos, gays, trans... Mas agora está muito mais democrática exercendo sua crescente violência sobre qualquer um que não seja da elite. Atira antes pra perguntar depois. É essa matança desgovernada feita pelo Estado que esconde os altíssimos índices de assassinatos, pois os feitos pela polícia, não são contabilizados. Essa polícia não merece continuar atuando. Não sem dar esclarecimentos a quem paga seus salários, nós, contribuintes. Pagar pra sermos mortos?! Desde o regime militar passado foram criadas a polícia militar. Com treinamento de exército, não para proteger a população, e sim ataca-la, vem promovendo uma verdade carnificina no Brasil. Tudo começou lá atrás ainda na escravidão quando se perseguia o negro só por carregar um violão, jogar capoeira ou reverenciar os orixás. Pobres e nordestinos também eram perseguidos. Além de outros que incomodavam a gente graúda e seus puxa sacos.

Não quero ser forte - Renê Paulauskas

Não, não quero ser forte. Muito menos me superar. Quero uma vida simples. Boa pra se gozar. Não quero muito dinheiro. Nem ter que muito trabalhar. O conforto de um corpo saudável. Casa e comida e algum pra passear. Bons amigos pra me lembrar, das coisas que valem a pena. Família pra acompanhar, que nada se faz sem amar.

Gozar a vida - Renê Paulauskas

Gozar! Depois desmaiar e acordar quando todas as luzes já foram apagadas.  Nenhum livro escrito, nenhuma árvore plantada, nem um filho criado. Só viver. A insignificância do ser que dorme, respira, sonha e acorda. E sair pra comprar pão. Ver o dia nas ruas, sua luz, seu clima. Falar bom dia pra moça da padaria. Falar com o caixa do mercadinho. Voltar cheio de coisas e tomar um café da tarde com quem você gosta. Escrever uma carta longa pra aquele amigo que está no outro lado do mundo, mas que sente as mesmas coisas que você. Falar bobagem com os mais íntimos, voltar à quinta série. Perguntar da família, se todos estão bem. Não se preocupe em ser útil, deixe isso pras IAs. Vá fazer o que der na telha. Se não quiser não faça nada. Mas não vá se perder pelo caminho. 

Coisas inúteis - Renê Paulauskas

 Sim, ao menos que você não seja um psicopata, nós somos dependentes uns dos outros. Lembro da minha tia, que se orgulhava de ter casado com o amor da vida dela, quando ele faleceu, ficou uma verdadeira zumbi. Passou anos e começou a namorar o amigo do falecido marido, reviveu, não da mesma maneira de antes, mas muito melhor do que sozinha. Eu e minha mãe somos co-dependentes um do outro. Eu dependo da sua faxina, de cortar o alho e a cebola às segundas pra eu cozinhar e de seu jeito amoroso e divertido. Ela depende de mim para levar o lixo na rua, cozinhar e ajudar a carregar as compras do mercado. Fora isso tenho uma filha. Converso pelo celular com ela quase todo domingo. Pergunto das novidades, dos amigos, da faculdade e do namorado. Ficamos uns quarenta e cinco minutos no telefone. É uma menina ótima, tem um jeito doce, mas é justa ao extremo. Sempre quando posso tento amansar esse seu lado. Também tenho uma irmã, onze anos mais nova. Também falo mais pelo celular do que ao vi...

Inteligência - Renê Paulauskas

Na natureza os animais usam técnicas para sobreviver desde que existe vida da Terra. Há milhões de anos nossos antepassados foram mordidos pela técnica de uma maneira que os deixou cada vez mais dependentes. Primeiro foi a pedra lascada, depois o domínio do fogo, consequentemente o aumento do cérebro humano, mais técnicas, até o desenvolvimento de tecnologia e tecnologias. Desde os primórdios o homem foi controlado pela técnica que ao longo de sua pré história ficou cada vez mais dependente de suas técnicas até o homo sapiens e depois o homo sapiens sapiens, que somos nós, dependentes totalmente de coisas como fogo, água, agricultura... até chegarmos na energia elétrica e depois celular. Hoje vivemos um novo período onde a inteligência se desgrudou do cérebro humano, a IA (inteligência artificial). E já estamos dependentes dela. Já se verifica uma primeira geração de pessoas menos inteligentes após essa separação. Mas isso não é necessariamente ruim. A inteligência humana se mostrou de...

Esses jovens - Renê Paulauskas

  Esses jovens... todos jovens, acham que sabem de tudo. Não sabem nada. Acham que vão viver pra sempre, que tudo vai dar certo, nem pensam, só fazem. Eu também já fui jovem. Imaturo, bondoso, acreditei no amor. Hoje sei que o amor é uma falácia. Não é à toa que hoje os casamentos não duram, justamente porque são baseados no “amor”. Antigamente as alianças tinham um outro sentido, que não o romântico. As pessoas casavam como forma de garantir o patrimônio, e assim sua sobrevivência. As mulheres eram negociadas pelos seus pais como um bom negócio. E os casamentos duravam. Não só pela estabilidade financeira, mas também porque era proibida a separação. Mas o que penso hoje, depois de me frustrar com a vida amorosa é, será que antes, os relacionamentos estáveis, onde se ia conhecendo o parceiro dia a dia ao longo dos anos, será que, isso não aproximava o casal mais do que esse ambiente competitivo onde todos estão disponíveis e sem ânimo pra se conhecer? É fácil pensar que tudo vai ...

Ana - Renê Paulauskas

  Ana   Os dias passam monótonos nessa prisão chamada vida. Tenho preguiça até para sair pra rua comprar o absorvente que acabou. E a TPM já voltou. Estou procurando concursos, já que a vida de escritora é mais uma fantasia. Publiquei um livro de poesia em Portugal, mas o dinheiro não dá nem pra diarista. Os amigos e amigas, cada vez mais distantes. Tenho preguiça, agora beirando os cinquenta, de fazer novas amizades. É uma vida muito solitária, confesso. Mais cercada de plantas do que gente. Elas me ouvem melhor. Namoro, só valeu com as poucas mulheres que amei. Apesar que a Lígia era compreensiva demais. Mais uma mãe do que uma companheira. E a Solange, doida demais, não tive muita paciência, durou só quatro anos. Os homens foram um fracasso. Egóicos, inseguros, pareciam crianças mimadas que não tive saco para criar. Fumo, porque a vida não vale a pena. E não quero estar aqui quando o mundo acabar. Escrevo como forma de não enlouquecer, mas com um pé na loucura...

Uma história - Renê Paulauskas

  I Jovens Renan e seu amigo, Emerson, se conheceram numa Escola de Arte de São Paulo onde passaram anos melhorando seus desenhos. Emerson observa Renan escrevendo numa folha até ser toda preenchida, pede ao seu colega para ler. Renan explica que é só um treino para escrita em quadrinhos. Mesmo assim ele insiste. Quando pega para ler, nada faz sentido. Emerson mostra um tempo depois um conto gótico dele. Renan lê e acha engraçado. Os dois se tornam amigos. ___ Renan, você não disse que já fez teatro, descobri um lugar novo muito legal! É o Paço Municipal, lá em Santo André. Tão montando uma ópera punk, vamos?   II Ópera Punk Eram anos 2000, havia passado vinte anos do movimento punk, mas vários jovens estavam ali para conhecer aquele universo. Renan entrou na sala de ensaio observando aquelas pessoas tentando decorar seus textos e num impulso repetiu uma fala com entusiasmo e todos se assustaram e depois começaram a rir e assim foi aceito no grupo.     ...

Consciente - Renê Paulauskas

 Após vinte e três anos do meu primeiro surto psicótico, onde tive delírios de milagres de limpar a face berebenta de um homem com um gesto tapando de cima abaixo a visão que me incomodava, e em outro dia fazendo as pessoas congelarem no tempo literalmente ao pronunciar a frase "Vós sois deuses", ambos acontecimentos no pronto socorro onde estava internado, começou um processo desvendando aqueles e outros enigmas do meu inconsciente. Achei no gnosticismo a chave para toda sua viagem de auto conhecimento. Onde Jesus seria um mensageiro a nos libertar da ignorância e de nossa "prisão", com toda sua materialidade, desse mundo. Mundo esse governado por arcontes e controlado por agentes. Teríamos uma sentelha de luz pela qual podemos nos iluminar e voltar à Sofia depois de morrer. Existiria uma grande luz azul limitando esse mundo material do Demiurgo, o Deus dessa terra, que não seria a grande luz celestial (Sofia), que erdamos a sentelha, uma luz branca ou amarela, que...

Papai- Renê Paulauskas

 Meu pai foi um ótimo pai, sempre tivemos muito diálogo, falávamos sobre tudo. Me apoiou quando eu mais precisei, na minha separação, na minha doença. Tinha seus defeitos, como todo mundo, e o pior deles foi bater na minha mãe até se separarem. É muito difícil perdoar esse lado do meu pai, mas também impossível não ver que ele também tinha um lado bom.

Irmã mais nova- Renê Paulauskas

 Eu e minha irmã mais nova nunca fomos próximos. Temos onze anos de diferença, ajudei na criação até virar adulto e sair de casa, mas nunca tivemos intimidade. Quando voltei pra casa da minha mãe após meu diagnóstico de bipolaridade nossa relação continuou distante. Pouco depois foi a vez dela sair de casa. Teve uma filha, se separou e conheceu seu companheiro até o momento. Já uns anos mantenho contato com ela via whatsapp. Tentei estreitar os laços nesse tempo, mas a verdade é que nunca fomos próximos. Tenho uma consideração, e até um carinho, por ter ajudado a cria-la desde criança, mas falta algo. Tem uma frieza e praticidade em tudo que ela faz que me perturba. 

As aparências - Renê Paulauskas

 Outro dia, observando uma senhora dançar forró, pensei: "eis aí uma pessoa de bem com a vida, deve ser uma pessoa legal". Minutos depois a vejo dançando com um homem bem mais novo e percebo o interesse do jovem nela. Ela passa as mãos em seu rosto e pelo gestual diz que seu acompanhante está alí ao lado. Se despedem e quando ela passa por mim, faz uma cara brava horrível me dizendo: "Você, bico calado!". Fiquei tão desconcertado que fui embora para casa. No caminho pensei: "as aparências enganam".