Postagens

Mostrando postagens de 2026

Consciente - Renê Paulauskas

 Após vinte e três anos do meu primeiro surto psicótico, onde tive delírios de milagres de limpar a face berebenta de um homem com um gesto tapando de cima abaixo a visão que me incomodava, e em outro dia fazendo as pessoas congelarem no tempo literalmente ao pronunciar a frase "Vós sois deuses", ambos acontecimentos no pronto socorro onde estava internado, começou um processo desvendando aqueles e outros enigmas do meu inconsciente. Achei no gnosticismo a chave para toda sua viagem de auto conhecimento. Onde Jesus seria um mensageiro a nos libertar da ignorância e de nossa "prisão", com toda sua materialidade, desse mundo. Mundo esse governado por arcontes e controlado por agentes. Teríamos uma sentelha de luz pela qual podemos nos iluminar e voltar à Sofia depois de morrer. Existiria uma grande luz azul limitando esse mundo material do Demiurgo, o Deus dessa terra, que não seria a grande luz celestial (Sofia), que erdamos a sentelha, uma luz branca ou amarela, que...

Papai- Renê Paulauskas

 Meu pai foi um ótimo pai, sempre tivemos muito diálogo, falávamos sobre tudo. Me apoiou quando eu mais precisei, na minha separação, na minha doença. Tinha seus defeitos, como todo mundo, e o pior deles foi bater na minha mãe até se separarem. É muito difícil perdoar esse lado do meu pai, mas também impossível não ver que ele também tinha um lado bom.

Irmã mais nova- Renê Paulauskas

 Eu e minha irmã mais nova nunca fomos próximos. Temos onze anos de diferença, ajudei na criação até virar adulto e sair de casa, mas nunca tivemos intimidade. Quando voltei pra casa da minha mãe após meu diagnóstico de bipolaridade nossa relação continuou distante. Pouco depois foi a vez dela sair de casa. Teve uma filha, se separou e conheceu seu companheiro até o momento. Já uns anos mantenho contato com ela via whatsapp. Tentei estreitar os laços nesse tempo, mas a verdade é que nunca fomos próximos. Tenho uma consideração, e até um carinho, por ter ajudado a cria-la desde criança, mas falta algo. Tem uma frieza e praticidade em tudo que ela faz que me perturba. 

As aparências - Renê Paulauskas

 Outro dia, observando uma senhora dançar forró, pensei: "eis aí uma pessoa de bem com a vida, deve ser uma pessoa legal". Minutos depois a vejo dançando com um homem bem mais novo e percebo o interesse do jovem nela. Ela passa as mãos em seu rosto e pelo gestual diz que seu acompanhante está alí ao lado. Se despedem e quando ela passa por mim, faz uma cara brava horrível me dizendo: "Você, bico calado!". Fiquei tão desconcertado que fui embora para casa. No caminho pensei: "as aparências enganam".