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PORTAL- REESCRITO POR: CARLOS MORGANI E VINICIUS TETTI SILLA (ARGUMENTO HQ) EM BREVE

Viajava tranquilo numa estrada que não ia dar em lugar nenhum.... Estava passando  por um desfiladeiro,olhou e pensou: não deve ser agradável ter uma queda livre daqui. Fui seguindo; até que cheguei ao final do caminho. E lá estava o eldorado... Todo  conhecimento humano , ouro, diamantes, sabedoria plena, discernimento e senso de justiça Os textos perdidos dos gregos, romanos, chineses, egípcios; diante de todo aquele saber infindo eu me senti minúsculo e com um potencial defronte meus olhos... Fazer a viagem de volta a civilização não era fácil...mas precisava compartilhar com a humanidade todo aquele tesouro. Foi aí que me dei conta: tinha voltado no tempo? devo ter atravessado um portal nos alicerces da ciência einsteiniana. Como fazer a viagem de volta? se estou quase no   limiar   transcendental do portal de volta ou seria  o buraco de minhoca? Saiu vagando; se deparava com estátuas antigas e belas, a natureza era exuberante... Até que...

O AVENTUREIRO- RENÊ PAULAUSKAS

Um homem, cansado de sua história, de ver sempre as mesmas paisagens e recorrer às mesmas memórias, resolveu deixar tudo para trás e sair de sua terra natal, um pequeno oásis no meio do deserto. Ele andava em meio às dunas, enfrentando o mais terrível deserto, acreditando que o mundo era muito maior do que aquilo. Estava já no segundo dia andando tentando se guiar pelas estrelas rumo ao sul. Tinha água e pães para três dias e três noites. Não duraria muito mais se algo como um milagre não acontecesse. Na noite do terceiro dia, já esgotado e sem mantimentos, sem esperanças deitou no deserto para dormir e não pensar mais em nada. Na madrugada em vigília, viu três homens africanos o levar para outro lugar. Quando acordou de manhã estava num palácio de paredes azul turquesa com fontes por um longo caminho cercado de palmeiras imperiais. Levantou e estava disposto e animado como se não tivesse andado por três dias seguidos, como se alguém ou algo tivesse tirado seu cansaço. Logo vieram d...

LADO B- RENÊ PAULAUSKAS

LADO B   Aquela ansiedade estava desequilibrando sua rotina. Como uma força de vontade própria, não tinha mais paz em sua casa. Não parava de comer. TV, computador, violão. Queria um trabalho. Dinheiro não tinha, pensar em mulheres estava fora de cogitação. Queria uma distração, mas o que fazer? As opções sempre se resumiam a arte. Mas que arte sobrevive sem uma vida por trás da arte? Precisava de vida e pra isso de dinheiro. Sem dinheiro, não saia e resumia sua ansiedade em ficar ansioso dentro de casa. Dinheiro para o transporte até que tinha. Poderia se deslocar até uma exposição. Parou, pensou. Mas pegar dois ônibus, ter o risco de pegar o rush, nem pensar. Estava com preguiça. Preguiça e tédio de ficar em casa. Ligou para um amigo para ver se pagaria uma cerveja, nada. Foi então que lembrou que tinha meio litro de cachaça. Não teve duvida. Ligou para seu amigo convidando para tomar uma batida antes do show de graça que teria mais tarde do lado de sua casa. ...

O Espelho de Dorian- Renê Paulauskas

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Havia um meio choro dentro dele que não conseguia expressar. Era um tipo de constatação de um defeito que não podia corrigir. Talvez as novas ações sim, mas o passado não poderia mudar. Então se viu feio no espelho. Não era algo visível, era algo interno. Talvez só uma má impressão. Era uma espécie de retrato de Dorian Gray ali ao vivo. Isso o assustou e tentou fazer o possível para contornar a situação reafirmando para si que era uma pessoa boa. Mas a impressão não passou. Teve que escrever uma carta sobre si e dentro dela um ser que parecia com ele. Essa busca dele mesmo sempre criava novos personagens, que a partir tomavam vida própria. Mergulhado em palavras logo não mais se lembrava de seu monstro, que ficara guardado páginas atrás.  

AO CAIR A MOEDA- Renê Paulauskas

Ao cair a moeda o medo de se tornar como seu amigo, naquele quarto sujo cheio de moedas espalhadas pelo chão como se não tivessem valor. Um segundo antes se orgulhara, queria ser como ele, gostava dele, mas não aquilo da desordem, isso queria longe. Sentado ali, de frente pro mar, olhando as gaivotas sobrevoarem o farol dentro de sua imaginação, sentado à noite em seu quintal. Quando estava com a cabeça longe ficava mais bonito; acho isso porque as moças o olhavam nessas horas. Estava descobrindo algo novo. Acho que era que não precisava fazer nada, mas que tudo estava ligado. Longe de ser, pensava no que poderia tímido. ‘’Eu queria ser azul, pra não existir nesse mundo’’. Pensou varias vezes, até o mundo se impor devagarinho, como uma gorda que vai te conquistando aos poucos, dando doces de um em um, até sentir que já não vivia o inferno, que existia para cada dia bom, um ruim e quando aceitou, veio o lugar onde podia viver um dia bom com outro bom e assim. Às vezes recaia com...

O SOFÁ- Renê Paulauskas

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Entrou dentro no sofá fazendo o pó cobrir a sala. O repouso das bundas, deixava-lhe ora alegre, ora apreensivo. Gostava de participar da decoração e as vezes acendia como um abajur. Falar não falava, somente dizia sim, não, obrigado. Um dia veio há reposar um outro na poltrona enfrente.   O pó os cobriu antes da faxineira chegar, tirando sua liberdade. Caretas fazia, mas a poltrona nem se incomodava. Os eventos seguintes, deslocaram-se para cozinha. Sofá e poltrona foram trocados e o novo dono da casa ninguém conhece.      

UMA NOITE MAL DORMIDA-RENÊ PAULAUSKAS

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Depois de assistir a um filme, de repente se espantou. Uma ideia clareava sua mente de maneira assustadora. Seriam os psicopatas uma evolução para a sociedade? Tal ideia o assombrou de tal forma, que à noite ao dormir teve um pesadelo em que fazia amizade com um psicopata que só fingia ser seu amigo e aparecia de noite em sua casa, com uma faca afiada, pronto para lhe matar. Assustado, acordou molhado e foi tomar uma água. Mais relaxado, desceu para seu quarto. Se fechou, apagou a luz se deitando na cama. Fechou os olhos e tentou voltar a dormir. Voltou a acordar e não pegava no sono. Começou a reparar nos ruídos de insetos que se arrastavam pelo quarto, pegadas de barata, insetos voadores e ranger dos móveis. Os gatos no telhado e no quintal, o vento nas folhas das arvores. A porta da garagem abrindo, pegadas subindo as escadas. O segundo portão se abrindo, pegadas cada vez mais nítidas até parar enfrente ao seu quarto. Seus olhos arregalaram no quarto escuro e seu coração era ...

GAROTAS

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  Nada parecia proibido Se juntasse todas as mulheres que teve contato, não daria para fazer um curau. Mas estouradas como pipoca, dava uma panela cheia. Não tinha tido tantos contatos, relacionamentos menos ainda, mas sentia a necessidade de escrever sobre elas. Quando criança, ainda no pré, todos brincavam no intervalo entre o pátio, os brinquedos como o trepa-trepa e a gangorra, a horta e os muros, que na verdade pareciam só paredes. Era uma farra e acredito que éramos felizes de verdade. As meninas já nos interessavam, mas ainda não sabíamos direito como nos relacionar com elas. Ainda não sabe e hoje tem menos traquejo com elas do que nesse brilhante começo de vida, onde tudo era novidade e nada parecia proibido. Num desses intervalos, uma garota parecia ousar muito mais do que as demais, chegando um dia a mostrar para todos os garotos sua perereca. Só que eu estava distraído em outra parte da escola e quando soube da novidade já era tarde, o sino tocou e eu nã...

TONI-Renê Paulauskas

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Em vão ele tentava entender a vida, mas ele nem ao menos era narrador desta história. Simples personagem, do tipo que não pode enxergar personagens que estão encobertos por muros, distância ou que andam por outros caminhos. Mas tentava. Sempre olhando para o chão e pensativo, achava que um dia ia sair daquele labirinto. Os outros só agiam. Alguns concordavam menos outros mais. Mas no geral aceitavam as coisas como eram ou como lhe pareciam. Seus problemas eram do tipo: caiu a bola no vizinho. Preciso de um sapato novo. Fulano é muito chato. Estou endividado. Já ele, não se preocupava tanto com tais problemas, porém deixava de ter uma vida normal. Andando de olhos para o chão, olhava para si, procurando resolver os problemas do mundo. Visto daqui era um ponto preto prestes a esbarrar em qualquer poste, pedra ou buraco que estivesse em seu caminho. Uma garota começou a se interessar por ele sem que se fizesse notar. Passava por ele sempre quieta, mas com um sorriso tímido os d...

O BEST SELLER- Renê Paulauskas

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Ele estava diante do computador tentando escrever uma história de amor encomendada pela editora. O problema é que não ficava com uma única mulher naquele ano. Relacionamentos, mais de dois e histórias que valeriam ser contadas, uns quatro. Acostumara viver a vida sem romances. As vezes se pronunciava, para uma garota aqui, outra ali, mas no geral conseguiu um jeito de viver a vida sem ser amado. Não ser amado por algumas mulheres não fazia muita diferença, já que era amado por seus amigos e sua família e seu gato. Mas aí estava o problema. Como escrever sobre algo que no momento não despertara minimamente seu interesse. Por outro lado, precisava daquele contrato, seu editor não aceitaria uma recusa de um iniciante. Foi até a cozinha, preparou um café, beliscou umas bolachas, voltou ao computador de tela branca. Tinha uma noção vaga do ser feminino. Escrever sobre elas era algo difícil de improvisar. Eram como crianças carentes sempre atenciosas aos seus bichinhos, nós no ...

A ANSIEDADE-RENÊ PAULAUSKAS

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Aquela ansiedade estava desequilibrando sua rotina. Como uma força de vontade própria, não tinha mais paz em sua casa. Não parava de comer. TV, computador, violão. Queria um trabalho. Dinheiro não tinha, pensar em mulheres estava fora de cogitação. Queria uma distração, mas o que fazer? As opções sempre se resumiam a arte. Mas que arte sobrevive sem uma vida por trás da arte? Precisava de vida e pra isso de dinheiro. Sem dinheiro, não saia e resumia sua ansiedade em ficar ansioso dentro de casa. Dinheiro para o transporte até que tinha. Poderia se deslocar até uma exposição. Parou, pensou. Mas pegar dois ônibus, ter o risco de pegar o rush, nem pensar. Estava com preguiça. Preguiça e tédio de ficar em casa. Ligou para um amigo para ver se pagaria uma cerveja, nada. Foi então que lembrou que tinha meio litro de cachaça. Não teve duvida. Ligou para seu amigo convidando para tomar uma batida antes do show de graça que teria mais tarde do lado de sua casa.