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NA ESPERA- RENÊ PAULAUSKAS

NA ESPERA I Agradeço ao que não vês Puseste-te naquele segundo Jaz em meu cruzamento A candura dos teus olhos II Ainda é cedo Pra tanta coisa Mas já é tarde Pra fazer amor A noite já começou III Te conheço tão pouco E a tão breve tempo Mas me faz sentir num mundo De outros carnavais IV Mulher me diz O que é aquela flor Que só vejo Quando fecho os olhos V Chega logo A espera é como um rio Logo se enche Não passaras

POEMAS INSPIRADOS- RENÊ PAULAUSKAS

POEMAS INSPIRADOS I Quem dera não viver de gente Não viver de pressa Ser somente E semente Folha E toda gente Sem nem saber Quem dera II Fui num sonho sem títulos Foi só pra descansar E acordar inspirado Cheio de ar Foi somente um sonho Sem nada lembrar Eis que existe esse sonho Alguém há de lembrar III Tanto sonho batido Tanto ar sem respirar E eu nesse barco partido Viajando ralo sem naufragar Enquanto os peixes são só peixes E viajam fundo em seu sonhar IV Amélia me disse o seu poema Fiquei com raiva Saí correndo Como pode ser Amélia poeta Com tanta louça pra se lavar V Triste o fim daquele moço Tão tolo Arisco Somente cabe em seu bolço Tanto ódio

POEMAS SEM INSPIRAÇÃO- RENÊ PAULAUSKAS

POEMAS SEM INSPIRAÇÃO I Os poemas hoje Naufragam sem esperar Desistem somente Mergulham Se escondem Por uma película intransponível Por um azul obscuro Sedentos Fugidos Procurando a esmo O que não posso explicar II Hoje não se tem mais nada o que dizer A não ser dentro dos sapatos Ou no meio das paredes III Quisera ser o sorvete Da menininha A me espalhar por entre os dedos Borrar a roupa engomada Me dissolver numa calçada Quisera IV Me perco com as palavras como se fizesse parte de um computador Arrodeado de espelhos sem poder ver além Submerso em um poema Querendo ar V De repente escrevendo Esbarrei numa ponta de sonho Como se arrastasse um outro tempo Que se desfez em espanto

NASCENTE- VINICIUS TETTI SILLA

De volta pra casa Vou formigar E subir a escada Pra qualquer lugar Uma ponte pro Além de agora Pra contar alguma coisa aí por fora De uma nascente que começa a brotar Uma água que precisa ser despoluída Mas que ainda tem muita coisa bonita Numa esquina qualquer Encontro uma garota Que me sorri E meu mundo desvanece E meu coração já não mais padece

O COMEÇO DA NOITE- RENÊ PAULAUSKAS

O começo da noite I A vida É uma pegada distante Algo não ouvido Não visto Inconsciente E quando tu ouves os degraus no instante O arrastar dos insetos É você que está vivo E despercebido Por todos os outros que fazem barulho II Tenho dito às folhas Que meu tempo não se passa aqui E elas dizem pelo vento Que não sou mesmo de cá Que queria voltar ao sumo Ao tempo que ai de ter sido planta Ou até ainda antes Quando um meteoro me trouxe aqui Ainda do lado oposto de tudo Doutro lado do mundo Antes de ter começo Antes de ser assim E volto a olhar a folha Só ela tem tempo pra mim III Num poema se criam mentiras Ficções criadas por uma lente verdadeira Que se traduzidas por si Si perde no vento ao esbarrar uma parede  Mas algo transforma o dito Não podendo saber de onde vem Transluz Ilumina Expande E engole Engole a alma a poesia E nesse enigma Nessa senzala Escreve o homem Sem ter domínio de ...