Coisas inúteis - Renê Paulauskas
Sim, ao menos que você não seja um psicopata, nós somos dependentes uns dos outros. Lembro da minha tia, que se orgulhava de ter casado com o amor da vida dela, quando ele faleceu, ficou uma verdadeira zumbi. Passou anos e começou a namorar o amigo do falecido marido, reviveu, não da mesma maneira de antes, mas muito melhor do que sozinha.
Eu e minha mãe somos co-dependentes um do outro. Eu dependo da sua faxina, de cortar o alho e a cebola às segundas pra eu cozinhar e de seu jeito amoroso e divertido. Ela depende de mim para levar o lixo na rua, cozinhar e ajudar a carregar as compras do mercado.
Fora isso tenho uma filha. Converso pelo celular com ela quase todo domingo. Pergunto das novidades, dos amigos, da faculdade e do namorado. Ficamos uns quarenta e cinco minutos no telefone. É uma menina ótima, tem um jeito doce, mas é justa ao extremo. Sempre quando posso tento amansar esse seu lado.
Também tenho uma irmã, onze anos mais nova. Também falo mais pelo celular do que ao vivo, já que há muito tempo saiu daqui de casa com sua filha que hoje tem treze anos. Tento atualiza-la das novidades daqui de casa e de dois em dois meses, mais ou menos, marcamos de comer uma pizza aqui em casa.
Os amigos duram um certo tempo depois acaba. Tive várias amizades que duraram em média dez anos. Aprendi muito com eles, me diverti ainda mais, mas tudo passa e estou chegando numa idade onde é mais difícil se soltar como antes.
Namoradas já não tenho há sete anos, desde que fiquei quarentão. Hoje elas me procuram muito menos e eu idem. Tirando o sexo, sempre foram menos íntimas que os melhores amigos, de um jeito que é impossível manter muito tempo uma relação assim.
Hoje estou sozinho com a minha família. Faz falta os amigos e as paqueras, mesmo sabendo que não fazem mais muito sentido. Até coisas inúteis tem sua utilidade.
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