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DETALHE- VINICIUS TETTI SILLA

Acordo mais um dia na penha. O silêncio é ensurdecedor; chego na padaria e o dono me dá bom dia-só isso me deixa contente. Tomo meu café com leite e um pão com manteiga na chapa. Peço um copo d´água e o dono diz que ele vai pegar: melhor não contrariar. Barriga cheia saio pra comprar cigarro e uma senhora me pede um cigarro, arrumo claro, ela pergunta se moro na favela, digo que não e ela me diz seca: eu moro como se quisesse demarcar território: respeito. Há muitas possibilidades pra esse dia, sinto muitas saudades dos amigos, então acho que hoje vou visitá-los. Jogar uma conversa fora, afinar-se com o mundo, correr atrás dos meus sonhos como isso que estou fazendo agora: escrevendo este texto simples, porém que reflete o que estou sentindo na alma. Hoje não tem jogo: graças a deus pois isso aliena; ainda mais com os gastos que tiveram pra arquitetar essa copa e tanta corrupção que saibo que existe. Um dia pensei: um detalhe e o mundo se transfigura. Espero que esse detalhe ocorr...

TALVEZ UM DIA- VINICIUS TETTI SILLA

A insônia me persegue Talvez porque tenha medo de ter sonhos ruins E acordar transtornado Traumas de noites passadas Que me assustam Tomo um café Me resignando com minha situação Mas preciso dormir O problema é que minha cabeça esta à mil Abobrinhas de um solitário Quem sabe no meio da noite eu cochile Ou veja o sol raiar No meu radar Só passam besteiras Mas tenho que levar na brincadeira Senão vou me consumir E não quero esse inverno Mesmo que eu esteja no inferno Vislumbro o paraíso E me acalmo A cada palavra que escrevo Exorcizo meus fantasmas Ando meio assombrado Num filme de suspense Tenho medo de pensar então vou ouvir um som pra  desinfetar essa praga que assola minha cabeça E talvez esqueça Um passado que me arrepia Tempos que desatinei Mas agora eu sei Estou calejado Não vou cometer os mesmos erros E talvez um dia eu durma tranquilo Sem esses grilos que me rodeiam

REMANDO- VINICIUS TETTI SILLA

Redemoinhos no mar E eu no meu barquinho O vento não está à favor Mas mesmo assim sigo remando Até encontrar uma ilha Ou um continente qualquer Quando lá chegar eu vou bem devagarinho Pois onde não se conhece deve-se agir com prudência Se encontrar alguem Vou ver se fala o meu idioma Porque nessa torre de babel Às vezes a gente se desencontra Vejo uma pegada Um rastro qualquer A minha intuição diz para eu seguir em frente E eu vejo uma lâmina de água E nela vejo uma semente Com todas suas potencialidades E um desejo De que quando eu crescer quero te dar um beijo Sem pudores ou malícia E você bela morena Me corresponda Se em Angra ou Barcelona Mesmo que não nos vejamos mais Ficará a lembrança De que um dia eu já fui criança

MENOS PALAVRAS- RENÊ

Quisera menos palavras Mais beijos Menos palavras, mais risos, mais abraços, mais poesia Quisera menos palavras Menos rimas, menos métrica Quisera mais Mas onde te vejo?