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O Espelho de Dorian- Renê Paulauskas

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Havia um meio choro dentro dele que não conseguia expressar. Era um tipo de constatação de um defeito que não podia corrigir. Talvez as novas ações sim, mas o passado não poderia mudar. Então se viu feio no espelho. Não era algo visível, era algo interno. Talvez só uma má impressão. Era uma espécie de retrato de Dorian Gray ali ao vivo. Isso o assustou e tentou fazer o possível para contornar a situação reafirmando para si que era uma pessoa boa. Mas a impressão não passou. Teve que escrever uma carta sobre si e dentro dela um ser que parecia com ele. Essa busca dele mesmo sempre criava novos personagens, que a partir tomavam vida própria. Mergulhado em palavras logo não mais se lembrava de seu monstro, que ficara guardado páginas atrás.  

AO CAIR A MOEDA- Renê Paulauskas

Ao cair a moeda o medo de se tornar como seu amigo, naquele quarto sujo cheio de moedas espalhadas pelo chão como se não tivessem valor. Um segundo antes se orgulhara, queria ser como ele, gostava dele, mas não aquilo da desordem, isso queria longe. Sentado ali, de frente pro mar, olhando as gaivotas sobrevoarem o farol dentro de sua imaginação, sentado à noite em seu quintal. Quando estava com a cabeça longe ficava mais bonito; acho isso porque as moças o olhavam nessas horas. Estava descobrindo algo novo. Acho que era que não precisava fazer nada, mas que tudo estava ligado. Longe de ser, pensava no que poderia tímido. ‘’Eu queria ser azul, pra não existir nesse mundo’’. Pensou varias vezes, até o mundo se impor devagarinho, como uma gorda que vai te conquistando aos poucos, dando doces de um em um, até sentir que já não vivia o inferno, que existia para cada dia bom, um ruim e quando aceitou, veio o lugar onde podia viver um dia bom com outro bom e assim. Às vezes recaia com...