Subtrações (crônica) - Renê Paulauskas
A vida como uma soma de subtrações. Ainda novo, retirei o laço com as mulheres, por não mais acreditar em paixão sem amor e amor sem paixão. Maldita inteligência, que cresce muros onde não devia. Fui me esquivando cada vez mais do amor romântico e com quarenta anos já tinha me isolado por completo. Nas amizades o contrário. Acredito nelas, mas são elas que desaparecem. Cada um com seu motivo, não posso recriminar, mas para mim, a melhor maneira de se relacionar. Até aqui, tive mais de trinta possíveis amizades. Vinte vingaram e dez viraram melhores amigos. Desses, cinco ainda tenho contato e dois ainda são melhores amigos. Na carreira artística, com três anos comecei a desenhar. Com dez imaginava viver de ilustração. Com trinta estava no auge. Com quarenta fui parando de desenhar, me reinventando, escrevendo e compondo. Hoje desisti de tudo. Só me resta viver. A família é o que me segura. Minha mãe, com quase setenta anos. Minha filha, com vinte e cinco. Minha irmã com quase quarenta. ...