Coisas inúteis - Renê Paulauskas
Sim, ao menos que você não seja um psicopata, nós somos dependentes uns dos outros. Lembro da minha tia, que se orgulhava de ter casado com o amor da vida dela, quando ele faleceu, ficou uma verdadeira zumbi. Passou anos e começou a namorar o amigo do falecido marido, reviveu, não da mesma maneira de antes, mas muito melhor do que sozinha. Eu e minha mãe somos co-dependentes um do outro. Eu dependo da sua faxina, de cortar o alho e a cebola às segundas pra eu cozinhar e de seu jeito amoroso e divertido. Ela depende de mim para levar o lixo na rua, cozinhar e ajudar a carregar as compras do mercado. Fora isso tenho uma filha. Converso pelo celular com ela quase todo domingo. Pergunto das novidades, dos amigos, da faculdade e do namorado. Ficamos uns quarenta e cinco minutos no telefone. É uma menina ótima, tem um jeito doce, mas é justa ao extremo. Sempre quando posso tento amansar esse seu lado. Também tenho uma irmã, onze anos mais nova. Também falo mais pelo celular do que ao vi...