Esquecido - Renê Paulauskas
O homem pálido tinha medo do tempo, que ele mudasse. Também temia as coisas sem nome. Aquele amigo que desapareceu sem nada explicar. De como as coisas decantavam sem ninguém as ver. Mesmo assim extendia seus braços para que qualquer um pudesse o tocar. Fazia esse gesto muitas vezes ultimamente pra sentir que o mundo era maior do que ele. Antes escrevia tudo em seus diários seu vasto mundo de uma vida isolada cheia de inquietações. Depois de escrever os lia como um camelo a ruminar seu alimento. Agora saia de casa pelo menos uma vez por semana para fazer teatro, essa curiosa arte por meio da imitação da vida. E sobretudo com outras pessoas. Resolvia problemas em grupo. Era como estar num prezinho novamente. Essa é a hora que tenho que pôr um conflito pra segurar o leitor. Como: até ser preso. Mas não. De fato ele nunca mais foi visto pelo pessoal do teatro. Não se sabe o que aconteceu com ele. Depois de poucos encontros foi totalmente esquecido.