Sonho - Renê Paulauskas
Desde criança eu duvido da realidade. Antes achava que era como um sonho acordado. Transito nesse sonho que às vezes mais parece pesadelo. Os próprios sonhos, antes cheios de inquietação e significado, hoje passam em branco, esquecidos, ignorados. A questão é que quero acordar. Mas não consigo, talvez só quando não estiver mais nesse corpo. Até lá, tento me bastar das coisas desse lugar. Comer, dormir, acordar. Família, amigos, um lar. Coisas que façam sentido nesse habitat. Não é que eu não sinta amor. Que não me afete com as pessoas, ou outros animais, é como uma intuição, de que aqui não é o meu lugar. Então habito como um alienígena tentando descobrir coisas tão óbvias, que nem pensaram o porquê. Minha mãe e um amigo me chamaram de filósofo por pensar nessas coisas. Não acho que seja o caso. Mesmo os filósofos tem um lugar. Sinto que o meu é um não lugar. Quando jovem fui marginal. Não por falta de oportunidade. Mas por não diferenciar o bem visto do mal visto. No fin...