Toada (crônica) - Renê Paulauskas
Eu que via os homens em fila, ordenados, compassivos, e dizia, não! Não a costura cirúrgica da civilização. Sua organização sistemática, higiênica e fragmentada. Mesmo assim, contava nos dedos, os carros que passavam, suas cores, no colo do meu avô. E cresci oblíquo, meio pra dentro. Como se extraisse raízes e cuspisse folhas. Até gritar e desfazer, camada por camada, até ser outro ser. Hoje vejo eu atrás da fila. Seguindo como todos. Esperando minha vez, como todos nessa toada. Um a um em sua jornada, de febris inquietações.