Bexiga azul - Renê Paulauskas
Ele se sentia um corpo inexpressivo naquela cidade cheia de gente. Cada um ocupando um espaço de poucos passos naquele quadrante. Vidas. De trabalho, estudo, fisiologia, repouso e uma leve pitada de prazer. A cidade acorda às cinco da manhã com ainda poucos automóveis na rua. O sol vem e ilumina tudo. É quando realmente começa o dia. Pessoas seguem para o trabalho ou escola. Ele não. Acordava em sua sala sem saber pra onde ir. Passava os dias dentro de casa, que nem era dele. Queria ser produtivo, mas não sabia o que fazer. Se sentir útil. Temia seu fim morando nas ruas. Quando saia tentava aproveitar o máximo o contato com as pessoas que estavam ocupadas e não percebia suas formas modais. Voltava sempre só. Uma vez saiu numa sexta feira, como todos os dias em casa. E procurou onde as pessoas estavam reunidas. Achou uma bexiga azul no caminho e brincou com ela como se fizesse contato com um ser tão livre e esquisito como ele. Naquele dia voltou pra casa feliz.