No parque (conto) - Renê Paulauskas
Sentado no parque próximo dos senhores tocando e cantando música caipira, percebeu que aquele canto era de lamento. Um lamento com harmonia que contava longas histórias, na maioria, de amor. Se sentiu vivo ouvindo os senhores cantando e tocando como passarinhos de tão afinados. Pensou no incrível mimetismo dos seres humanos. E de como a música lhe fazia bem. Em como essa harmonia lhe fazia falta. Depois da magia tudo dissipa e para no ar como se faltasse energia, movimento, vida. Era esse o tranco de sua vida. Sentir tudo e nada. Não sabia se era da sua personalidade ou não. Sabia que tinha que lidar com esse branco. E quando sentia, eram só engrenagens em movimento, mecânicos. E dissecava suas rotas ordinárias até ficar entediado. Então criava. Criava fórmulas matemáticas para adaptar a matemática decimal em outras bases, caso um dia, faríamos contato com seres de mais ou menos dedos, mesmo não acreditando nisso. Analisava o funcionamento dos sonhos e descobria curiosidades sobre sua ...