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LÍRIOS- VINICIUS TETTI SILLA

Enxergar é preciso Navegar não é preciso Olhai os lírios do campo Mesmo que sejam de arquipélagos Mesmo que seja do cume do himalaia Perder o equilíbrio é fácil Difícil mesmo é por a cabeça no lugar Tambores nos deixam em transe E cantos ancestrais também Subindo ou descendo a ladeira Não devemos nos desesperar A resposta está do dentro de você para com todo E não devemos subestimar a inteligência do universo Nem quando estamos envoltos em escuridão O mistério, ah o mistério Queria ter uma fenda pra me deparar com ele E sossegar como se fosse a vista do horizonte Mas o alcance do meu olhar é limitado E se escurece depois de um determinado limiar... Mas, artes, a fé, a filosofia, a ciência me deixam aliviado

BUENO LECHE-VINICIUS TETTI SILLA

Demasiado perto porém muito aquém De alguém que me alegra Pra essa festa de desdém Migalhas são jogadas aos pombos E eles bicam contentes E a semente de um dia assaz Me refaz dessa ressaca Já saí; Agora o que me resta é formigar Tenho um lar onde as musas inspiradoras não estão me acalentando Mas vou beber o bueno leche Na praça da bandeira Um homem inquieto resmunga trocadilhos E o infinito está aberto Para quem pegar o trem Cruzes nas calçadas Estão espalhadas ao vento ao leo Sinto compaixão mas não sou onipresente Então ando a me esgueirar pelas trepadeiras reguladas Vem meu bem, me ame Ponha açúcar mascavo; não aspartame

LARA CROFT-VINICIUS TETTI SILLA

Antes era fliperama Agora playstation 4 x box sei lá da que Aventura que aguça o raciocínio E sem sair de frente do micro Te faz viajar o mundo Já fui Lara Croft e também o aviãozinho do river raid Agora deixei de lado mas quero repensar Afinal ser criança e jogar também é lúdico Passar as fases e evitar o game over... Já estive no egito antigo no império asteca e até em outras galáxias Sem dar um passo apertando botões Sou do tempo do cp 200 que se carregava os games com fita k7 Hoje é blue ray and so far away Reflexo ninja é preciso Curiosidade: necessária... Mas tudo termina na metáfora da jogada...

PÁSSARO PROIBIDO-VINICIUS TETTI SILLA

Reesquematizando o sistema O pássaro proibido vai poder  voar E o céu carregado desanuviar E tudo ficará mais claro Como fonte no abstrato Bárbaros serão anulados E os fantasmas não nos peturbarão Clowns desfilaram pelas alamedas Como raros cometas Que correm como carrapetas Excluindo as escopetas das trevas Pois a vida há de ser aventura breve numa efemeridade Em qualquer lugar da cidade Não há mais dúvida A praça vai ser sua

FÊNIX-VINICIUS TETTI SILLA

Ele desesperadamente cachimbava; por entre os indigentes se metia-seres renegados pela sociedade que acumula. A paranoia subia-lhe a cabeça, e num estalo estava no céu, ilusão efêmera- pois num instante já estava na fissura de dar mais uma paulada. Quando avisavam "Lá vem a loira" era o código de que a polícia estava perto. Até que os policiais eram tolerantes, às vezes pegavam alguém com uma pedra e nada faziam; mas se fosse traficante... Muitos indigentes já tiveram família, entretanto de tanto aprontarem foram parar no meio da rua, outros já nasceram na barriga da miséria, quase...sem oportunidade. Tinha muita treta; eram desconfiados de tudo. Se mexeram nos seus pertences, se lhe roubaram uma rocha. Mas eram como anjos caídos à espera de uma mão que os levantasse. Ou que dessem a volta por cima... Tinha treze anos um rapaz chamado marco. Começou fumar crack aos 11 e já estava totalmente envolto na névoa dela. Vivia pedindo dinheiro para os passantes; até fazia uns fu...

LANTEJOULAS-VINCIUS TETTI SILLA

Na nascente da minha alma Brota uma colombina E eu estou extasiado Com esse perfume safado O meu eu lírico implora um amor Que seja sem terror Abajures iluminam um canto da minha mente E penso no canto dos meus ancestrais Fazendo versos de improviso Barquinhos navegam ao longe Indo pra depois do horizonte Lantejoulas brilham na sua festa Mesmo que seja besteira Eu quero ir à minha maneira Pois que seja assim Um eterno idílio Pra eu me exilar dentro de mim

HARMONIAS-VINICIUS TETTI SILLA

Aprendendo a nadar Me debato por entre tubarões Me esquivo da ceifa E vou na levada de um samba Que não tem parada Caminho sem volta Andando um pouco em círculos Pra chegar no cume da montanha E enxergar o horizonte mais longiquo A rosa está na minha mão Mas é apenas um botão Que rego com carinho Pra voltar ao ninho Onde deixei uma orquídea Não quero a cruz e sim o céu de alvorada cor salmão Me projeto no espelho E vejo uma figura fugidia Querendo alcançar um turbilhão de harmonias

Gaivota-Renê Paulauskas

Gaivota, Voa distante, voa! Bem longe daqui. Que na cidade, as pombas se alimentam dos restos dos mortais. Dos transeuntes solitários, que figuram somente como imagens amontoadas, de vida, de sonho e de mar. Que seu céu é menos ambíguo e veloz, sem o delírio do sonho. Que passa a vida sem se perder no labirinto mental dos homens, que dilaceram-se pelados, aparentemente sem nada os machucar. Percorre o caminho mais rápido! Define seu ponto de fuga! Se alimenta dos mares mais limpos e distantes! Mas não deixo de pronunciar sua fraqueza. Que às vezes, se perder no caminho, é  a grande beleza.