Insignificância - Renê Paulauskas
E o cientista examinando a partícula que ora se comportava como onda, e quando observada ficava estática. Percebeu que longe dos seus olhos todas as partículas se moviam tão rapidamente até atingir os 300.000 km/s e virarem luz. E que tudo, absolutamente tudo era luz. E nossa vida uma fração irrisório aprisionada pelo espaço/tempo, como aquela partícula observada no microscópio quântico por aquele homem que nada podia fazer, se não, aceitar sua própria insignificância.
Percebeu que a própria matemática só servia a espécie humana, desenvolvida a partir da contagem dos dedos gerando a base decimal. Que a definição de espaço, desde o ponto, passando pela reta, círculo e cubo, era limitada à experiência tridimensional. Que outras espécies inteligentes teriam outras bases e referências. Sendo assim, a matemática nada teria de universal.
E nessas constatações, intuiu que o mundo como conhecemos não faria o menor sentido. Então abriu a porta de sua casa. E viu um passarinho comendo mamão do mamoeiro do seu jardim. A sobrevivência, a existência, o sagrado. Estava tudo alí, parado.
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