Escravização - Renê Paulauskas

Fazendo uma brevíssima análise do povo brasileiro, formado a partir dos portugueses que escravizaram indígenas que depois foram substituídos por africanos escravizados por mais de 350 anos, destaco um aspecto. Enquanto os indígenas não se adaptaram à escravidão, por terem um modo de vida totalmente ligado à natureza de modo orgânico, fora do ritmo do trabalho forçado, os africanos e seus descendentes tiveram mais resiliência para se adaptar pela inteligência corporal, como pela música e dança, por exemplo. Talvez esse fenômeno, junto à sua resistência cultural, fez com que fosse possível aguentar o maior período de um povo escravizado na história.

Com o fim da escravidão no Brasil os negros libertos não foram indenizados e passaram de escravos a marginalizados. Para suprir a mão de obra antiga, vieram sobretudo europeus. Esses se estabeleceram, enquanto os negros continuaram marginalizados em periferias e morros ocupados por barracos.

Quase um século depois desse processo de fim da escravidão, começou no século XXI um movimento de políticas afirmativas para o povo negro. É um processo muito recente, mas tem se mostrado positivo.

Durante todo esse longo processo os negros sempre estiveram na sociedade brasileira operando com seus corpos na vida do trabalho, na escravidão como no capitalismo. Diferente dos indígenas, desenvolveram um modo mais adaptado às condições da escravidão e do nosso capitalismo.

Assim sendo, por estar tão incorporado ao modo de trabalho, diferente do indígena, o negro não consegue nega-lo. Sua luta é por se inserir cada vez mais aos meios de produção, sem destruí-los. Ficar rico, não deixar o modo capitalista.

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