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Mostrando postagens de junho, 2026

Pleroma - Renê Paulauskas

Ninguém vence o sistema, mas é possível modificá-lo parcialmente. Nem mesmo o amor incondicional é capaz de vencê-lo, pois o sistema é formado, em parte, por seres que não tem sentimentos, mas fingem ter. Essa ilusão, proposital, deixa o sistema invencível, uma vez que não se pode confiar nele, e desconfiado se fica ainda mais fraco. É possível, sim, enganar o sistema uma vez ou outra, não o tempo todo. Somos seres sensíveis de carne e osso. Assim, se faz necessário uma negociação entre seus desejos e o sistema. Que está o tempo todo em toda parte. Se entregar totalmente à ele é escravidão. Não entregar nada é suicídio. De qualquer forma ele vence. Mas sempre terá alguma coisa interna que você carregará. Essa coisa diminuta ninguém poderá mexer. E é com essa ferramenta que irá sobreviver. 

Vó Neuza - Renê Paulauskas

Quando cheguei aqui não tinha luz. Tive que tomar banho frio. Só ligaram a energia no sexto dia e no domingo a gente descansou.  Eu morava numa casa com cinco quartos na Vila Romana, pertinho da Vila Ipojuca. Um casarão. Minha mãe faleceu quando eu tinha seis anos. Foi depois disso que tudo mudou. Meu pai se casou de novo. Minha madrasta virou a dona da casa e eu, sua empregada. Ele era bem falado pelo bairro. Homem enorme. Forte como um touro. Bonito. E nos casamos rapidamente.  Eu já tinha surtado e minha família achou que seria uma solução eu sair de casa. Tive três filhos. O Ricardo, meu preferido. A Ciça, a mais levada. E a caçula, que chamei de Sílvia, a mais bonita. Ele, veio da Lituânia. Seu nome: Kazys, que sua mãe o chamava Kajucs e no bairro ficou conhecido como Caju. Fez todo tipo de promessa pra me curar. Caminhou da nossa casa até Santos. Foi até Aparecida do Norte. Fez até trabalho de umbanda. Mas não tinha cura. Fui diagnosticada como sendo maníaco depressiva. ...