A girar - Renê Paulauskas

Como são egoicos os artistas. Por não saberem separar eles próprios de suas obras, se ofendem com críticas às suas artes como crianças. Isso, nos verdadeiros, aqueles que colocam verdade, seus sentimentos, sua visão de mundo. Mas ao mesmo tempo, esses criadores, não percebem que são fruto de sua época, influenciados pelo mundo, ordinário e corriqueiro. E que no fundo, sentem as mesmas dores, as mesmas alegrias e mesmos conflitos que a maioria das pessoas passam.

Talvez o que os diferenciam seja o modo como expressam a vida. Esse processo interno de cavar dentro coisas e as por pra fora seja desenhando, escrevendo, fazendo música etc.

Existem também outros tipos de artistas. Que invés de cavarem dentro, buscam suas referências fora. Para esses copiar é parte do processo até desenvolver um estilo próprio. Existem ótimos artistas assim. Talvez esses não se confundam com suas obras. Nem se sintam ofendidos quando as criticam, não sei.

Sei que a arte é livre para ser feita como queiram. Que o resultado final, na maioria das vezes, é mais importante do que o processo. Que tem para todos os gostos. E o gosto é uma sentença.

Um artista com forte referencial popular, certamente, terá mais chances de agradar as massas do que um com referências eruditas. Da mesma maneira um artista popular pode ser ignorado pelos críticos de arte mais elitistas.

A arte é livre para se manifestar, por quem a faz e por quem a consome. Poucos agradam a todos. Mas de tempos em tempos surgem aqueles que fazem sucesso de massa e de crítica. Esses logo se tornam novas referências para novos artistas. E desse modo o mundo continua a girar.

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