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Mostrando postagens de julho, 2026
Hoje indo visitar uma amiga com saúde grave, vi uma pomba ser atropelada por um carro em frente ao ponto onde esperava o ônibus. Ela ficou gravemente ferida, ainda com forças para sair da rua, mas preferiu alí ficar. Em poucos segundos foi esmagada por um ônibus. Cheguei a pensar em tirá-la da rua depois de ferida e pensei melhor se não sofreria mais. Até ser esmagada. Quando cheguei na casa de minha amiga, sentada numa cadeira de rodas, sem quase se mexer, mais conversei com a nova enfermeira, do que com ela. Perguntei para minha amiga como ela estava se sentindo. Ela me disse que estava mole. Depois fiquei sabendo que era um efeito de um dos remédios, no caso, para início de Alzheimer. Tinha além disso, depressão, lupus e uma rigidez motora que atrapalhava inclusive sua fala.

Origem das coisas - Renê Paulauskas

Se formos através da genética atrás de nossos antepassados mais distantes, chegaremos nas primeiras moléculas ou microorganismos que já traziam em si o gene das características primordiais da vida: crescer, reproduzir, sobreviver a todo custo, matando se preciso. Essa vida não seria possível de se desenvolver se não fosse a energia do Sol. Dessa estrela vem, junto a nossa atmosfera com oxigênio e gás carbônico mais a água, indispensável para o desenvolvimento da vida, nossa perpetuação de geração a geração até onde nos encontramos. Em síntese, tem dois motores que agem dentro de nós sem que nem nos damos conta. A genética, que tem as características da vida neste planeta, e a nossa energia que vem do Sol, da água, do ar e da terra. Muito provável que os antigos tenham percebido isso há milênios e tenham desenvolvido conhecimentos como a astrologia baseados em estudos nesse sentido. Hoje já se sabe que além desses quatro elementos que nos influenciam, os planetas também geram vibrações....

IAs e nós - Renê Paulauskas

As IAs vão dominar o mundo, ponto. A guerra contra elas é uma guerra perdida. Enquanto elas são cada vez mais inteligentes e eficientes, nós estamos cada vez mais burros. A única saída para nós é nos concentrar naquilo que fazemos de melhor, nos voltarmos pro coletivo. Nos reagrupar em pares e grupos pelo simples prazer de estar junto.  Hoje em dia somos cada vez mais estimulados a sermos independentes e vivermos isolados. Esse é um ótimo caminho para o fim da nossa espécie. Existem dois cenários possíveis com as IAs no controle. O mais provável, uma escravização do planeta controlado pelos donos das empresas de IA. Outra, que talvez venha mais para a elite e classe média, um mundo controlado por IAs onde as pessoas tem muito mais tempo livre para se dedicar ao lazer, educação e cultura. A complexidade do mundo nem sempre é algo negativo. É das periferias, onde a vida é mais precária, onde as pessoas ainda se ajudam. E talvez dela venha uma resistência ao isolamento gerado pelo uso...

Bar da Maria- Renê Paulauskas

- Vocês são todos uns boçais! Todos uns boçais!- Gritava ela num surto depois de não se aguentar mais com quase três anos frequentando as mesmas pessoas do mesmo bar de seu bairro. Diferente dos vizinhos, ela não ia lá para beber e sim pra socializar. Procurava conversas verdadeiras onde os outros iam desabafar. O Magrão, depois de um dia de trabalho puxado. A dona Lurdes, que já estava viciada. E tantos outros que viam na bebida um refúgio seguro. Ela não, ela bebia Coca-Cola com gelo e limão, depois passou a Guaraná com laranja e gelo. E isso fazia uma enorme diferença, pois ela não acompanhava o mesmo ritmo alcoolizado das pessoas em volta. Era uma extra terrestre. E começou a reparar em coisas como: as senhorinhas caindo de bebedas na volta pra casa. Uma quebrou o braço. Mas na semana seguinte estava de volta.  Em como os mais jovens escolhiam seus pares encharcados de bebida e transavam numa viela alí do lado. Em como todos, eletrizados pelo álcool, passavam a ser outras pesso...

"Realidade" - Renê Paulauskas

Essa noite, sonhando, senti que a casa de baixo pegava fogo e acordei com sirenes de bombeiros pelo bairro. Sinto que criamos a realidade através da imaginação, e não o contrário. Só essa afirmação é o suficiente para dizerem que estou louco, assim como fizeram me internando num pronto socorro psiquiátrico, sedado e amarrado, vinte e cinco anos atrás. Me obrigando a tomar remédios para controlar o humor e os surtos psicóticos. Mas tá tudo bem. Pelo menos tenho, bem ou mal, uma vida. Diferente de minha avó, maníaco depressiva, que foi abandonada pela família. Finjo acreditar nessa realidade para ter sossego, percebendo que é muito maior do que se apresenta. Um verdadeiro teatro.  Ao mesmo tempo estou equilibrado e com boa saúde. O que me dá motivo para permanecer na plateia enquanto houver apresentação. Algumas personagens já sumiram, como o par romântico. Restou a família e poucos amigos, que contam o enredo cada vez mais inclinado ao prosaico da vida do que as fortes emoções.

Filha - Renê Paulauskas

Ela cresceu. Seu cérebro acabou de se formar. Quer independência, morar sozinha. Sinto que passo a ser bem menos importante na sua vida. Lembro que na mesma idade me afastei de meu pai. Hoje vejo como um processo natural, onde os filhos tem sair das asas dos pais e trilhar seu próprio caminho. Só não sabia que iria doer um pouco. Ver nossos filhos crescer e irem embora é um parto invertido. Mas tem de ser. Vou apoia-la como puder. Desejo-lhe sorte, muita sorte! Pra que consiga sua independência tão desejada. Que não tenha nenhum problema, como eu tive, tendo que voltar para casa dos pais. Tem 25 anos, um cérebro recém formado, ainda sem experiência. É como um pássaro prestes a sair do ninho dando seus primeiros vôos. Minha filhota. Já sinto falta dela.

Trauma - Renê Paulauskas

Nos primeiros anos de vida organizava seus brinquedos por ordem de cor e tamanho. Fazia uma fileira de carrinhos, dos menores aos maiores separados por azul, amarelo e vermelho. Então veio a pré escola, o prezinho. No primeiro dia, levado por sua mãe, depois de alguns segundos de a ver ir embora, começou a chorar. Até uma colega, uma menina da sua idade perguntar por que ele estava chorando. E ele olhou em volta aquele enorme pátio, cheio de crianças brincando, e começou a se soltar. Ia todos os dias feliz da vida para o prezinho. Seu pai, antes de o levar, mostrava coisas interessantes, como o álcool pegando fogo ou como fazer fogo com uma lente através do sol. Foi no prezinho que aprendeu a se relacionar com outras crianças. Tinha uma coleção de borrachas com cheiros. Uma vez um colega as pegou e não as queria devolver. Furou a mão dele com um lápis. Vieram professores, chamaram as mães. Mas no final deu tudo certo. Outra vez levou um ataque de balde de areia. Ficou uma semana tirand...

Copa do Mundo - Renê Paulauskas

Os jogos olímpicos tinham a nobre tarefa de expressar por meio de competições as maiores qualidades de seus povos enquanto não estavam guerreando. As Copas do mundo, muito recentes historicamente, seguiram o mesmo propósito por meio do futebol. Mas o mundo de hoje não é mais controlado por nações, e sim pelo capitalismo de Big techs, bancos mundiais, petróleo, armas etc. Os jogadores são comprados por milhões e nem sempre tem ânimo para representar seu país de origem, depois de tanto tempo vivendo lá fora. Nessa Copa do Mundo nos Estados Unidos de Trump, jogadores do Oriente Médio foram proibidos de se instalar para os jogos. Africanos foram impedidos de entrar no país. Quando torcemos para o Irã ou pros times da África, estamos torcendo contra os Estados Unidos e os colonizadores europeus e toda sua dominação mundial. Mas isso é óbvio. O que não é óbvio é o controle do algoritmo sobre nossas vidas que sempre se adapta para que continuemos torcendo, enquanto eles lucram.

Extrema direita - Renê Paulauskas

O projeto da extrema direita de dominar o mundo falhou. Seu controle via Big techs se mostrou efetivo, mas os efeitos negativos de seus governos são tão devastadores que não conseguirão se reeleger. Mesmo assim, em curtíssimo prazo, fazem um estrago gigantesco e acumulam capital suficiente para, mesmo sem governos, continuar dirigindo através de suas empresas. O que virá, quando o mundo os expulsar de seus governos, se já terão cumprido suas metas, ou teremos um mundo melhor, ainda não sabemos.  O fato é que a população é muito suscetível à propaganda e ao controle das redes sociais. Nesse sentido, eles ganharam.  Vários países já começaram a colocar limites para o uso de redes sociais, parece um antídoto para um cenário caótico onde somos estimulados por algoritmos sem limite.

Arte (poema) - Renê Paulauskas

Pra mim a arte maior Sempre foi a vida, A fonte de todas As outras Agora na meia idade  Parece que a vida Ficou menos intensa. E a arte, com seus cavalos, Ainda pulsa Pudesse viver, Mas só me restou  A arte São Paulo capital 03/07/26