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Mostrando postagens de setembro, 2026

Manifesto invertido (discurso) - Renê Paulauskas

O avesso do mundo é ser vigiado por todos e não poder dizer o que pensa, sente ou imagina. É a forma mais cruel de viver a vida, a subordinação absoluta. A normalização das coisas pela média. O equilíbrio raso longe do conflito. O mundo perfeito e medíocre. Sendo que pelo menos metade da população tem ou vai ter algum transtorno mental ao longo da vida e ter pensamentos, sentimentos e uma vida totalmente fora desses tipos ideais de supostas vidas humanas. Que mais servem como placas ou regras do que fazem algum sentido. É preciso que haja uma expressão genuína de cada ser dentro de seu espectro, doente ou não, para preencher as lacunas criadas pelo padrão e sua normalização que apaga as formas mais autênticas de existir. Temos que quebrar as armaduras que travam a liberdade de nos movimentarmos naturalmente. É assim, nesse constante exercício, nos achar e caminhar pra algo que realmente faça sentido, e não que tenha apenas lógica. O que proponho é que escrevam seus sentimentos mais abs...

O Ser (crônica)- Renê Paulauskas

"Ser ou não ser, eis a questão"- William Shakespeare. Tudo estava estranhamente sereno e mórbido, como se nunca tivesse existido a vida, ou fosse algo nunca visto por ele.  Depois de se impor algumas vezes contra a ordem das coisas, o mundo pôs nele algumas correntes. Mesmo assim ainda era livre, e pensou numa última saída. Mas não teve coragem. Sucumbio à ordem das coisas e seu adocicado elixir. Foi mais uma vez viver a vida, tão falsa como uma puta. Pudesse não se apegar a nada, como Buda. Pudesse se entregar, como Jesus. Não fez nada disso, fingiu que nada viu e tocou o barco.  Sem ter certeza de que esse gesto era seu ou manipulado de fora, se deixou conduzir como um animal domesticado e dócil. Não era mais livre, só imaginava ser. E entre resistir e o amarrarem mais uma vez naquela cama de pronto socorro psiquiátrico depois de uma injeção de socega leão, preferiu fingir de morto, em meio à projeções de rostos alegres ao som de gargalhadas estridentes como gritos de deses...