Bar da Maria- Renê Paulauskas

- Vocês são todos uns boçais! Todos uns boçais!- Gritava ela num surto depois de não se aguentar mais com quase três anos frequentando as mesmas pessoas do mesmo bar de seu bairro.

Diferente dos vizinhos, ela não ia lá para beber e sim pra socializar. Procurava conversas verdadeiras onde os outros iam desabafar. O Magrão, depois de um dia de trabalho puxado. A dona Lurdes, que já estava viciada. E tantos outros que viam na bebida um refúgio seguro.

Ela não, ela bebia Coca-Cola com gelo e limão, depois passou a Guaraná com laranja e gelo. E isso fazia uma enorme diferença, pois ela não acompanhava o mesmo ritmo alcoolizado das pessoas em volta. Era uma extra terrestre.

E começou a reparar em coisas como: as senhorinhas caindo de bebedas na volta pra casa. Uma quebrou o braço. Mas na semana seguinte estava de volta. 

Em como os mais jovens escolhiam seus pares encharcados de bebida e transavam numa viela alí do lado.

Em como todos, eletrizados pelo álcool, passavam a ser outras pessoas, deixando a razão e levadas por impulsos que beiravam a loucura.

Mas só parou de frequentar o bar depois que uma das senhoras que era mais próxima lhe perguntar: - Onde estão seus amigos?- Nessa hora percebeu que estava no lugar errado. Que tinha amigos, sim, mas nenhum naquele bar. Então voltou para casa e nunca mais frequentou o bar da Maria.

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