Vida e morte - Renê Paulauskas

Hoje indo visitar uma amiga com saúde grave, vi uma pomba ser atropelada por um carro em frente ao ponto onde esperava o ônibus. Ela ficou gravemente ferida, ainda com forças para sair da rua, mas preferiu alí ficar. Em poucos segundos foi esmagada por um ônibus. Cheguei a pensar em tirá-la da rua depois de ferida e pensei melhor se não sofreria mais. Até ser esmagada.

Quando cheguei na casa de minha amiga, sentada numa cadeira de rodas, sem quase se mexer, mais conversei com a nova enfermeira, do que com ela. Perguntei para minha amiga como ela estava se sentindo. Ela me disse que estava mole. Depois fiquei sabendo que era um efeito de um dos remédios, no caso, para início de Alzheimer. Tinha além disso, depressão, lupus e uma rigidez motora que atrapalhava inclusive sua fala.

Tive também uma forte rigidez muscular quando tomei haldol depois de meus diagnóstico de transtorno bipolar. Com o tempo mudei para risperidona e minha vida voltou ao normal. Em relação a minha amiga, já não tenho mais muita esperança que ela volte ao normal.

Meu pai teve câncer e morreu em seis meses. Mas a amiga da minha amiga também teve e se curou. Vou torcer para que minha amiga fique bem. Viver é bom, dizia meu pai antes de morrer. Vamos viver.

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