"Realidade" - Renê Paulauskas

Essa noite, sonhando, senti que a casa de baixo pegava fogo e acordei com sirenes de bombeiros pelo bairro.

Sinto que criamos a realidade através da imaginação, e não o contrário.

Só essa afirmação é o suficiente para dizerem que estou louco, assim como fizeram me internando num pronto socorro psiquiátrico, sedado e amarrado, vinte e cinco anos atrás. Me obrigando a tomar remédios para controlar o humor e os surtos psicóticos.

Mas tá tudo bem. Pelo menos tenho, bem ou mal, uma vida. Diferente de minha avó, maníaco depressiva, que foi abandonada pela família.

Finjo acreditar nessa realidade para ter sossego, percebendo que é muito maior do que se apresenta. Um verdadeiro teatro. 

Ao mesmo tempo estou equilibrado e com boa saúde. O que me dá motivo para permanecer na plateia enquanto houver apresentação.

Algumas personagens já sumiram, como o par romântico. Restou a família e poucos amigos, que contam o enredo cada vez mais inclinado ao prosaico da vida do que as fortes emoções.

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