Sentido das coisas (conto)- Renê Paulauskas

Ele queria ser artista, mas não sabia o custo para isso se tornar realidade. Tinha uma ideia ingênua e fantasiosa de que bastaria ele se dedicar à sua arte que o resto o universo traria como mágica.

Então passou os primeiros quinze anos se dedicando. Já dominava a arte visual, mas nada aconteceu.

Então se dedicou a arte da escrita. E passados quinze anos, também nada aconteceu.

Por fim passou quinze anos se dedicando à música e também nada aconteceu.

E só então começou e se dar conta das engrenagens que faziam as coisas acontecer no mundo das artes. Eram interesses muito mais práticos e ligados ao mundo capitalista do que ele poderia imaginar. Se seus desenhos eram bons era muito menos importante se eles venderiam ou fariam seus produtos, como livros ilustrados vender. Seus textos, idem. Sem contar que mesmo se os publicassem gastaria uma pequena fortuna sem garantia de retorno. E as suas músicas, teria que mais gastar para que elas fossem ouvidas com distribuição do que conseguir viver de seus direitos como compositor.

Então se deparou com a crua realidade. De que toda sua dedicação à arte deixaria uma obra não revelada. Que não conseguiria mudar o mundo através de sua personalidade. Que tudo talvez não fizesse sentido. 

Por outro lado, para ele fez sentido. E morreu em paz.

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