Eu comigo mesmo (ensaio) - Renê Paulauskas
O que eu com quarenta e tantos anos diria para eu com vinte e poucos. Não diria nada, esperaria ele ter seu surto, que o mudaria por completo. Deixando de ser tímido e distraído, para eufórico e louco. Que o faria se sentir vivo como jamais se sentiu antes.
Ele, por outro lado, se assustaria ao me ver, anos atrás, desequilibrado. Aquele jovem pacífico e delicado com os gestos controlados e até desajeitados vendo eu tomado de gestos violentos de insanidade.
Talvez o mais novo tentasse apazigualo, por compaixão. Ou só se afastasse, com pena daquele indivíduo.
Por ele, por nós, tento, dar voz aquele jovem do passado. E vejo um retorno algumas vezes, agora com a mente mais tranquila, de uma vida mais simples e saudável habitar em nós.
O eu de antes, poderia ter sido outra coisa. Mas não duraria muito com seu jeito puro e ingênuo. O surto serviu para um despertar, pra esse e pra outros mundos. Mas sua essência equilibrada e doce, foi fundamental para retornar, agora desvendado muitos segredos do mundo, a uma vida simples.
Não posso reclamar de nada, tanto o espírito do jovem, quanto o despertar fora da caixa, são minhas características hoje. Agradeço a tudo, acreditando que o caminho já estava pronto antes mesmo de eu o percorrer.
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