Precipícios - Renê Paulauskas
Eu tive uma visão que a vida fora dessa matrix seria como
uma ilha contornada por precipícios de liberdade que fazem os corações saltarem
pela boca. Uma vida arriscada, bem diferente da que temos aqui. Com perigos
reais, mas uma liberdade imensa, tão grande que a própria vida se torna
pequena. E seria esse o motivo da matrix, nos preservar do risco, nos tirando a
liberdade.
Como mortos vivos seguimos nossas vidas. Tão previsíveis e
chatas, nos fechamos pra novas possibilidades, cada vez mais escassas. Por que
estou vivo? Por que estou aqui? São perguntas que passam por nossas mentes.
É possível viver bem dentro da matrix?
Não sei. Aparentemente os indígenas integrados à natureza e
os africanos às suas tradições, são tipos ideais de vida nesse planeta. Mas na
realidade, a maior parte desses hoje em dia vivem um colapso de afastamento da
natureza e suas tradições. Mas, sim. A integração com a natureza e a comunidade
acredito que seria o melhor dos mundos.
Os celulares individualizaram ainda mais o ser humano o
afastando desse princípio. É preciso reintegrá-lo. Para tanto é preciso uma
força política. Mais da metade dos jovens estão insatisfeitos com suas vidas,
isso é um recorde. Nunca se viu uma quantidade tão grande de suicídios nessa
faixa etária.
Essa matrix que, se é verdade, foi uma alternativa pra nos
preservar, agora nos mata como nunca. Não por conter precipícios de liberdade,
mas ao contrário, por nos prender num mundo onde não se vê sentido nem
liberdade, que nos sufoca até tirarmos nossa própria vida como meio de
desespero.
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