Homem - Renê Paulauskas

 

Homem de meia idade vestindo roupas velhas, cabelo despenteado meio comprido e barba por fazer entra em cena, arrota e em seguida solta um longo peido...

É isso o ser humano, não o galã de novela. Nem o herói da odisseia ou o monstro debaixo da cama. Esse que reclama. Meio animal, meio Deus. Às vezes bom, outras cruel. Com sorte, tem o que acreditar. Com pesar, mal tem pra onde olhar. E nessa fricção se fazem bons, se fazem maus. Os mesmos homens, com ou sem paz. Tivessem os mesmos direitos, mesmas chances e enredos, não seriam bons nem maus, seriam todos iguais.

Penso naquele jovem de quinze anos, seu sorriso, seu olhar. Vejo ele com trinta anos, desiludido, mas ainda vivo. Agora com cinquenta anos, insuportável como o cão. O que perdeu no caminho?

Envelhecer é um processo de perdas. Perda da inocência. Perda da juventude. Perda de amores. Perda de amigos. Perda de parentes. Se no final te sobra algo, é quase um milagre, que segura com as mãos como um minúsculo grão a brilhar.

Outros não tem essa sorte. Tropeçam em vaidades. Se seguram em muros desconstruídos. Mas infelizmente isso também é o ser humano.

O ser humano, esse animal faminto. Que tudo devora até não ter mais dentes. Mesmo sem dentes devora o ar. Até o ultimo suspiro, sem se entregar. Esse bicho covarde. Que nada larga, nada dá. Que quando morre, outros irão o devorar.

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