Velho - Renê Paulauskas

Com a idade as relações de afeto vão se extinguindo gradualmente. Infelizmente parece que o natural é o ser humano ir se isolando até morrer. Me deparo com a meia idade, onde a vida conjugal já não existe há quase uma década e as amizades estão quase extintas. É nesse cenário desértico, onde ainda tenho o afeto da família e de poucos amigos, que começo a pensar em como sobreviver nesse mundo já pela metade.

E começo a aceitar a falta do agito mesmo gostando dele. Assim como a conformação de nunca mais viver um romance, apesar de ser romântico. 

É um processo de fora pra dentro, porque no íntimo, somos ainda jovens. Mas nos vêem como velhos. Isso bem antes de sermos velhos, a partir dos quarenta anos.

Ainda não tenho nem cinquenta anos e estou passando por essa crise. Tenho energia, saúde, criatividade e sanidade, só não tenho iniciativa. Não gosto de sair só. Não vejo motivo para fazer nada sozinho. A não ser ir no cinema, num show, uma exposição. Mas sempre achei o grande barato da vida as pessoas, suas conversas, seu conhecimento. E tudo isso está acabando. E viverei menos. Até, quando estiver totalmente isolado, morrer.

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