Impressões - Renê Paulauskas
A juventude é preenchida pela vida e seus escritos são impressões desses dias cheios em que rabiscamos na areia antes de nos fartar no mar. Já os escritos da maturidade trazem a experiência da vida nos olhos, certezas e desilusões que orientam nossos passos.
Pouco posso falar desse vasto pequeno mundo, sua lógica e loucura. Cabe a mim parcas impressões. A natureza vil em sua busca desenfreada em sobreviver e os espaços vazios preenchidos pelos desejos.
Do outro lado a falha dessas mesmas engrenagens, não por desgaste, por desconstrução. Congeladas no tempo e desmontadas no espaço. Quando se percebe que há algo mais, que junta todas as peças, essa cola cósmica que nada tem a ver com a matéria.
Mesmo assim continuamos presos à gravidade e todas as exigências do corpo. Sentimos fome, sede, sono, desejos. Nos perdendo dentro como em uma caverna. É esse o drama humano.
E fugimos. Através da imaginação para todos os lados possíveis. Criando, nos relacionando, experimentando. Tudo pra sair da inércia e alcançar algo maior.
E se não saímos, somos devorados pelos vermes internos que se saciam.
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