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O homem por trás do mito- Renê

E Jesus, depois de traído pelos seus amigos, os discípulos, já não podia acreditar naquilo que divulgava como sendo a solução para todos os problemas, não acreditava mais no amor. Assim deixou-se crucificar como espécie de fuga para seu estado abalado onde se quer acreditava em Deus, desabafando antes da morte: “Deus, por que me abandonaste?”.  

Lama ao fundo- Caio Sales

Lama ao fundo Saio à rua De paralelepípedos O céu cinza Vocifera sua chuva Minhas imagens mentais Diluem-se E agrupam-se Nas poças formadas nas imperfeições do caminho Paro e olho Para trás Ideias e pensamentos passados Agora somente borrões com lama ao fundo A água, antes divina e pura Por Deus aspergida Está agora maculada e imunda Pois toca este maldito adicto. Mas... eu... Eu consigo ver Na poça d’agua Minh’alma presa a esperar pelo sol.

Impermanência- Caio Sales

Impermanência É na impermanência De mim, Que me descubro Nú. Indefeso Contra o mundo Que me quer escravo De suas vontades esdruxulas Há um vazio Separando-me O cerne da existência célere De deus eterno e infindo Resta-me apenas singrar Neste mar revolto De mansos lobos Travestidos em pele de ferozes cordeiros.

Hospício- Caio Sales

Hospício Minhas mãos tremem dentro do hospital. Em seu pátio o sol fere os meus defeitos de caráter. Eu vejo no recôndito mais escuro do meu ser O nefasto monstro, que desde nascituro me habita, o mal! As paredes de toda clínica do lado interno São de um amarelo pálido doentio dão a impressão de que vão esfarelar Universos de insana sordidez que quero desatrelar Da minha angustiada e melancólica vida antes de sair do inferno São delírios assim como as garras Que me impedem de continuar na escravidão Do vício horrendo, estou contido, me ferem os punhos essas amarras E isso me faz sentir a podridão Atormentado pelos desencarnados Luto no hospício pela liberdade Esse senso comum que antes me deixava enojado Tamanha sua crueldade

Livre!- Renê

Estou livre! Livre para conhecer o mundo. Todos os amores foram ressecados, todos os rumores desacreditados. Os rumos estão onde ninguém está. Faço a ponte entre o amor ao desconhecido, acreditando ser mais feliz desta vez. Quem sabe o novo contemple o velho, mas não sinto falta de nada deste chão.

Gravidade e luz- Renê

Se a Matrix existe ou não isso já não sei. O fato é que este universo é configurado sobre a seguinte equação: Gravidade/Luz. No sentido que nada pode ser maior ou igual a velocidade da Luz( 300.000 Km/s) e que a própria luz pode ser capturada pela gravidade, como por exemplo a dos buracos negros.  

Fim do capitalismo- Renê

Chegamos ao fim do capitalismo. A crise causada por especulação financeira demonstrou com todas as letras que não se pode ter uma economia baseada em números. Este descolamento da realidade, objetivando sempre cada vez mais lucro causa situações irreais, como quedas em bolsas de valores e faturamento indevido de capitais. A ecologia nos mostrou que nosso planeta e seus recursos limitados não se adequam a ideia ilimitada de lucro do capital. É preciso retirar o poder dos donos do capital com uma nova conscientização através da educação. É preciso antes de tudo, vomitarmos todas as técnicas de marketing, toda ilusão de Hollywood, toda auto ajuda corporativista( fascista ). Precisamos urgente fazer a revolução! 

Fiquei fora do eixo- Renê

Tive uma semana horrível. Fui fazer um curso de produção artística contemporânea no Sesc com o Baixo Ribeiro, do Instituto Choque Cultural. Logo na primeira aula o professor disse que existiam dois tipos de arte, a erudita e a popular. Disse sem ser ofensivo ou antipático que segundo a Escola de Frankfurt, que se baseava no estudo da indústria cultural de massa, como Hollywood, a arte popular e erudita podiam se igualar. O professor ficou tão inseguro que tremia e começou a gaguejar, fazendo-me ficar com pena e olhar para ele tentando o fazer relaxar e voltar à aula. Na segunda aula, Baixo se desculpou pela aula anterior e junto à coordenação do Sesc mudaram a aula seguinte para um evento comemorativo na galeria Choque Cultural localizada na rua Capitão Salomão, 26 próximo do Vale do Anhangabaú no centro velho de São Paulo. Chegando à festa, um prédio de cinco andares, ficamos sabendo que lá era um espaço alugado por vários coletivos, inclusive um dos andares pela Mídia Ninja. Míd...

O processo neural do desencadeamento da loucura- Renê

O processo do desencadeamento da loucura, ou simplesmente o processo de livre associação de ideias, pode ser entendido como um aumento de ligações sinápticas atingindo ligações sinápticas em outras áreas do cérebro. Deste modo uma ideia comum pode se tornar delirante ou paranoica após o aumento de substâncias que o próprio cérebro produz como a dopamina. Essa livre associação de ideias também se dá em pessoas sadias e pode ser compreendida como o mecanismo básico de associação de ideias e funcionamento neural.

Assalto à mão armada- Renê

Foi naquele assalto à mão armada que conheci meu último amor. Trazia na mão incisiva um estilete me obrigando a dar pra ele tudo que eu tinha. Fui cruel e roubei-lhe a vida. Mas antes da despedida, feridos ele e eu, o vi perder aos poucos a consciência, buscando em retalhos de jornal todo dinheiro que precisava. E depois, já no hospital, cantei com ele tudo o que ele queria, como uma dama a cantar o amor até partir. 

Vídeo-animação( Cidades )- Renê

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Vídeo-animação que gosto muito e ainda com poucas visualisações https://www.youtube.com/watch?v=Ya93u3oJUf0

Clip: Carros de Polícia- Renê e Renato Guilherme

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Enquanto a situação não mudar por aqui a gente vai postando https://www.youtube.com/watch?v=lLR_fvo14Ho

Na física quando dois corpos trocam calor- Renê

Na física quando dois corpos trocam calor, sua consequência direta é o equilíbrio térmico entre eles. Da mesma maneira as relações entre seres tendem a se harmonizar entre trocas benéficas para os dois lados. Considerando que assim como na física a ordem natural das trocas é o equilíbrio, quando isso não se dá podemos definir como uma relação de exploração, onde um corpo se recusa a dividir suas riquezas numa relação de troca com outro. As relações são feitas por interesses dos mais diretos, como por recursos matérias, até desejos mais inconscientes, mas não ocorrem quando não é de interesse dos dois lados. Essas relações existem inclusive entre instâncias como Estado e sociedade, cultura e sociedade, permeando todas as categorias existentes na sociedade até as relações mais subjetivas e imperceptíveis a olho nu. Relações de desamparo ao trabalhador brasileiro como vem sendo feito após a reeleição da presidente Dilma, com a atual PL 4330/2004, como projeto de lei para regularizar ...

O velho- Renê Paulauskas

Eu corro atrás das amigas da minha irmã como um velho desesperado. As meninas que vi crescerem e eu de tão miserável estado encontro agora em seus corpos jovens uma tara sem sentido ou pudor. Pudesse beber um copo de água que refrescasse meu ânimo, caminhar de olhos abertos vislumbrando a praia, ainda no seio da vida achando que nunca acabaria o sol. Mas meus ossos já falam e a gravidade assenta meu corpo, fecho os olhos cansados e me tinjo de branco pra me esconder das multidões. O que resta no porto são ilusões. Mosaico de pequenos enganos polinizados por brilho de um olhar jovem. Agora a carcaça retumba, atrapalha o trânsito, suja a vista. Quem dera fossemos todos jovens pra sempre, e estar sempre caminhando para o infinito, com desejos e angustias de um mundo vivo, seríamos tolos para sempre e teríamos ânimo para viver.

Os deuses brincam- Renê Paulauskas

Os deuses brincam com meus sentimentos e eu brinco como os sentimentos dos humanos. Querem me matar agora que também sofro como vocês. Um deus caído, mas ainda possuo um olhar. Outro dia, dentro de um ônibus, quando estava pensativo, olhei num passageiro meu olhar. Não sei porque se por medo de me ver ou medo de me frustrar desviei o rosto. Pouco depois o vi no reflexo do vidro da janela o pobre homem de olhar vivo como de um desenho animado, que desceu do ônibus e relaxei. É triste o que fazem com a gente, manipulam tudo e nos resta pouco, talvez somente o projeto, alterado e carcomido, como um esboço sem sentido. E nos resta fôlego e nos falta ar, fazemos o mais cabível, deixamos as falas, os sonhos, os desejos que não se encaixam. E esta etapa é somente uma nova tecla a encontrar um novo patamar. Como uma escada rolante que desce e tentamos subir, nos esmagando os pés, as mãos, os olhos até definharmos tanto e sermos somente fantoches que de cima ditam regras, mortos como são ...

Liberdade- Renê Paulauskas

Hoje acordei como um cego tateando no escuro, mas com uma profunda sensação de liberdade.

A Matrix existe- Renê Paulauskas

A Matrix existe, mas como ela funciona? Por meio de abduções e controle de nossas mentes sem que nós percebamos. Nossa civilização se desenvolveu segundo contatos primeiramente pelos nossos antepassados mais distantes da raça Homo Sapiens. Há registros desse contato pelos Sumérios, mas nossa colonização é bem mais antiga. A tecnologia usada para interceptar e controlar nosso cérebro ainda é desconhecida, mas está inscrita numa ótica mais desenvolvida sobre física, no contexto de quarta dimensão. Esse domínio é camuflado como controle divino, onde os dominadores se passam por deuses de modo totalmente arbitrário e equivocado, sendo claramente um controle bruto e sem escrúpulos. Primeiro é preciso que tranquilizemo-nos, já que somos deuses em potencial, segundo as palavras de Jesus. Que essa dominação está há caminho de ter um fim, conforme aumentamos nossa consciência. Que não ajuda em nada ficar paranoico e ter medos a toa. Que sigamos claros com nossos sentimentos mais puros, mas ...

O engraçado da vida- Renê Paulauskas

O engraçado da vida não é somente que de crianças nos tornamos jovens e destes adultos e depois velhos. O engraçado é que mesmo crianças já temos a seriedade de alguns velhos e quando jovens a imaturidade de uma criança, e quando adultos, somos jovens, velhos e crianças. 

Não sou de confiar no amor- Renê Paulauskas

Eu não sou de confiar no amor. Este tantas vezes me deu as costas, que perdi a ilusão. Talvez fosse mais feliz, antes bobo que covarde. Agora sofro não por amar, por ser mesquinho e não querer me queimar. Jovem! Corra atrás dos seus sonhos. Não deixe de ser corajoso. Vá aos mares navegar. Que eu fico aqui. O velho mais jovem do mundo! Escondido em roupas que não tem valor. Vivendo de migalhas, migalhas de amor. 

Somos cegos- Renê Paulauskas

Somos cegos diante da brancura da luz que ofusca nosso cérebro e irrepreensivelmente está fadado a fracassar, pois é frágil e inócuo como uma parcela de um instrumento maior, algo que nunca será tangível ou absorvível por nosso organismo sensorial de percepção. Assim vivemos de sombras, falsos dilemas, percepções equívocas como fantoches onde não podemos culpar a ninguém a não ser a outros como nós mesmos. Estamos inseridos numa cadeia de múltiplas camadas. A primeira, fisiológica, natural através de nossa fecundação e desenvolvimento até indivíduos, onde a partir de certo estágio passamos a sentir através de nosso cérebro e sua fisiologia dotada de reações bioquímicas e reações ao meio ambiente. A segunda camada se inicia com percepções e modos de pensar que demonstram um mundo onde somos induzidos por pensamentos e ações numa cadeia em que prejudicamos uns aos outros sem perceber. Esta cadeia não é perceptível a todos e quando acessada pode provocar trauma em alguns por seu conteúd...

Símios- Renê Paulauskas

Sou um símio consciente. Não consciente de minha própria natureza como indivíduo, mas da natureza humana, a mesma natureza que está explicita em todas as situações instintivas animais. Àquela que basta um pouco de afastamento mínimo para perceber que não há nada, ou muito, mas muito pouco mesmo, que nos distinga do comportamento selvagem das outras espécies. Talvez, mais a característica de nossa baixa força física, ou estarmos cercados de coisas( tecnologia ) para nos proteger da selva do que uma mudança de comportamento. O modo como um homem olha uma mulher e vice-versa, sua forma física, idade, posição social, é o mais humano e trivial, tão animal quanto qualquer outra espécie. Porém, há uma esfera simbólica que nos distancia dessa percepção, há de que existe o mundo mágico e espiritual. Onde nos identificamos com deuses e coisas acontecem sem uma lógica racional. É deste material que nos identifica como humanos, e consequentemente diferentes dos outros animais. Mas será que nã...

Animal- Renê Paulauskas

Não sei porque viajo tanto em ideias inúteis, talvez para me distrair do tédio e sua mordaça. Vejo a espécie nas ruas e dentro de suas casas. Ninguém fala, ninguém diz, são bestas voando em seus casulos, com sede de fitar as suas presas com medo de tudo num mundo cheio de policiais. Queria rasgar suas roupas, provocar o delírio e o surto, anarquizar com todas as regras, só chegando a um limite, o reino animal.

Migalhas - Renê Paulauskas

Vivo de migalhas de outros pães. E assim me alimento daquilo que não existiu de fato, um fragmento involuntário, algo não considerado. E deste modo engano minha pobreza, tecendo fios onde não há esperança, brincando de ser Deus por me achar impotente. Sendo sincero em minha loucura.

Vasto Mundo- Renê Paulauskas

O mundo não era mesmo aquilo que pensava. O embrulho que permeava meus sentidos só fazia sentido pra mim, como um encaixe de significados ocultos numa parede descascada. Agora me entrego a este mundo, com uma linha que nos separa, acreditando só naquilo que penso e desconfiando de seus “sinais”. 

Devorado- Renê Paulauskas

Irritado por tudo Por envelhecer Por andar e exigir-me andar nos trilhos Por ter virado um conformado Uma peça sem cor E agora me pergunto: Do que tenho tanto medo? Medo de tudo Até da vida Medo e castração Olhando a parede vazia As flores sem cor E desapareço Sou eu quem me devorou

Tardio- Renê Paulauskas

Esperaste demais em seu sono Despejaste tardio o desejo Daquele que era puro e sereno Tornou-se arredio aviltamento Deste uma volta inteira sem sair do lugar Foste ao ponto mais íngreme de espiar Agora corre! Não existe volta Não existe tempo Apenas o teu contentamento Pega pra si o que é seu Tua memória árida e turva Teu ensejo que te acultura Tua infâmia que já não tem cura Vê se mais tarde tenha coragem E desnuda os véus sem esperar E espreita com sede de amar E investe no ato e no desejo Nunca o inverso e seu medo Nunca a fuga em seu lugar

Seus Olhos- Renê Paulauskas

Caminhava olhando para o chão, acreditando ter que fazer pegadas desenhando coordenadas, como se essas definissem os próximos passos de sua trajetória. Assim, caminhava até o bar. Lá era um homem normal, ninguém sabia de seu problema ou pouco se importavam. Em algumas ocasiões se descontrolava eufórico, coisa que incomodava seus colegas de copo, mas nada que ao se desculpar não fosse aceito em seu grupo. O engraçado é que ao contrário do que ele imaginava que, nessas crises de euforia, que fora aceito como um homem valente, forte, vigoroso e na sua fantasia até temido. Também se achava irresistível e mais atraente para as mulheres do que de fato era. Tinha um ego fenomenal. Fazia fantasias inteiras com mulheres que tinha tido pouquíssimos contatos de uma maneira que lhe cobriam o vazio de falta de relações humanas de modo que tudo o que imaginava era irrepreensivelmente maior do que a coisa em si. E desse modo se tornara um exagerado, não de dar ênfase de modo a trazer pra si at...

Neste labirinto- Renê Paulauskas

Neste labirinto olho pro espelho Nada digo nem convêm Estou preso neste mundo Neste mundo e muito além Solto frases de passagem Nada faço que convença Só no mundo e mesmo fraco Fraco até pra dizer adeus Que seriam de outros mundos Outros sonhos, outros eu Que seria desse mundo Sem eu Mas só sonho Se pudesse furar o mundo Furaria com uma espada Só não sei sair daqui

O homem olhou no espelho- Renê Paulauskas

O homem olhou no espelho E viu o menino puxar sua gravata Era um muro sem meio Era um buraco no ar Desesperado em sua mala Provocou a ira do desejo Pulou o campo proibido Foi ao seu desconhecido Só sabe o que ali se deu Quem pulou o tal muro Ou nunca se perdeu 

Organização caótica

Quem diria que fosse assim Nascer do beijo o convívio E do convívio a separação Brotar no umbigo a flor da razão E deste modo tão incerto de uma ordem tão desordenada Depois do choro Toda certeza constatada A felicidade E com ela Toda incerteza do mundo 

Exauridos olhos

Quem dera avida fosse outra coisa além de meus olhos Estes só apanham peças que fazem sempre o mesmo desenho Tão perdido em si ou nos outros que nada pode saber Quem sabe este ser pudesse ser outra coisa Talvez pudesse nascer de novo, mas estes olhos, tão viciados, tão carregados

Um macaco paciente no reino dos burros humanos- Renê Paulauskas

Não há nada que comprove a superioridade da espécie humana em relação aos outros animais. Estudos avançados sobre o comportamento em outras espécies demonstram uma complexidade em termos de inteligência e organização social que até décadas atrás não eram entendidos. Essas ciências como a Etologia e estudos que consideram a inteligência e psicologia em outras espécies estão cada dia mais nos mostrando que a tal superioridade do ser humano não foi mais que um mito imposto por uma cultura ocidental durante alguns milênios. Somos culpados de ser a espécie que mais provocou modificações ao meio ambiente de modo desastroso, prova da nossa falta de consciência e demonstração de que somos animais como qualquer outro. O novo mito de tentar reparar os erros e salvar o planeta não é mais do que uma nova versão da nossa suposta superioridade onde haveria um salto de evolução na consciência humana fazendo de nós os cuidadores de outras espécies e seres vivos. Em termos de organização social...

Carros de Polícia

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Mandamentos- Renê

Mandamentos de como tratar os seres Amai a todos os seres e animais como seus queridos que serão incapazes de lhe fazer o mal e só lhe farão bem. Não tratai os seres e animais como seres incapazes e menos inteligentes, pois a mais inteligência numa vida que ainda não entende do que na sua própria. Aprendei a amar, que o amor que tanto falam já conhece naqueles que você ama, usai esse amor como um instrumento de transformação ao seu redor, com amor. Aprendei a perdoar, como o amor, que traz benefícios diretos a si mesmo e aos outros seres, animais e seres humanos. Escrevo estas palavras para mim, com plena consciência que são tão verdadeiras e adiantadas para seres tão inconscientes e ignorantes como eu.

O AVENTUREIRO- RENÊ PAULAUSKAS

Um homem, cansado de sua história, de ver sempre as mesmas paisagens e recorrer às mesmas memórias, resolveu deixar tudo para trás e sair de sua terra natal, um pequeno oásis no meio do deserto. Ele andava em meio às dunas, enfrentando o mais terrível deserto, acreditando que o mundo era muito maior do que aquilo. Estava já no segundo dia andando tentando se guiar pelas estrelas rumo ao sul. Tinha água e pães para três dias e três noites. Não duraria muito mais se algo como um milagre não acontecesse. Na noite do terceiro dia, já esgotado e sem mantimentos, sem esperanças deitou no deserto para dormir e não pensar mais em nada. Na madrugada em vigília, viu três homens africanos o levar para outro lugar. Quando acordou de manhã estava num palácio de paredes azul turquesa com fontes por um longo caminho cercado de palmeiras imperiais. Levantou e estava disposto e animado como se não tivesse andado por três dias seguidos, como se alguém ou algo tivesse tirado seu cansaço. Logo vieram d...

O Jovem Tímido- Renê Paulauskas

Ele andava com a cabeça levemente inclinada para baixo. Olhava para o chão, mergulhado em pensamentos de sua vida que vinham e iam como ondas do mar. Olhava também para o céu e quando havia lua, essa o compenetrava de um jeito como se levitasse por uns instantes e não sentisse mais seus pés. Renan Era jovem ainda e como todo jovem chamava a atenção e os olhares das moças, que ele quase não percebia sempre entretido em seus pensamentos. Mas quando ficava sabendo de algo, por vezes através de outras línguas, ficava eufórico quando não perdia o controle. Nos encontros era tímido como um ratinho. Olhava o tempo todo para o chão calado e tenso. Após elas irem embora, aos poucos ia voltando ao normal, tomava coragem, ficava mais confiante, querendo de novo encontra-las menos tenso e mais sadio, mas elas já não queriam mais nada com ele. Foi vivendo assim, de timidez em timidez até seu primeiro beijo, já no segundo colegial. Era uma menina tão diferente como ele apesar de serem complet...

Um Novo Mundo- RENÊ PAULAUSKAS

Hoje chove e as gotas me separam de sair lá fora. Assim como a falta de juventude, suficientes para tomar um banho de chuva. Assim como os mais novos se separam da mesma vida por estarem ligados aos micro computadores. Este mundo virtual com o qual se relacionam é tão presente como a presença de chuva para mim, tão real quanto, algo que possa molhar. Não sei se talvez pela minha idade, ter crescido num mundo sem essa realidade (virtual), possa discorrer sobre este assunto com alguma crítica ou isenção de valores tão atuais. Toda a diferença entre o virtual e o real está num pequeno detalhe, o da coisa ser ou não transmitida ao vivo ou reproduzida como por um aparelho de computador, como no caso de uma conversa online. O fato é que mesmo no telefone existe uma alteração daquilo, da voz, se caso fosse transmitida ao vivo, e no caso de uma conversa escrita, é colocada em códigos, como eram escritas as cartas antigamente. E sobre uma reportagem, por exemplo, transmitida ao vivo, nunca...

A Folha em Branco- Renê Paulauskas

A folha em branco. A folha estava em branco e me relaxava o fato de ser tudo possível e não definido. Agora surgiram as palavras, estas mesmas que insistem em dar relevo, cheiro, tato. Antes era uma nuvem molhada de coisas que estavam por vir, e que poderiam deixar de existir caso desistisse de digitar na sua tela coisas tão inúteis como essas. Minha vida, os próximos meses, os próximos anos, são um enigma para mim. Acabo de fazer trinta e seis anos, mas estou otimista, acho que não vou morrer. Antes acreditei que sim, talvez tenha morrido em parte naquele dia. Mas hoje não. Hoje sou como eu renascido e acreditando na vida mais um pouco, e considerando todas suas facetas impossíveis. De qualquer forma, não vou demorar anos para escrever este texto. Certamente falarei de coisas ao longo de alguns dias, pontuando memórias, reflexões e acasos. Talvez esse não seja o texto com começo, meio e fim que esteja acostumado, mas não sei escrever de outra maneira. O homem se via só. Tão...

DISSIPAÇÃO -VINICIUS TETTI SILLA

No inferno é gélido Palidos ficamos E na longa montanha a subir Até nos cansamos Mas quando chegamos ao pico E avistamos o verde vale O frio se dissipa Aquelas visões de fantasmas Evanescem E vamos ao paraíso Comer do fruto proibido Para ter juízo E essa lugar de bonança É na terra mesmo

Tentativa de um autor preso em sua obra- Renê Paulauskas

A vida, não a vida, a vida invertida, escrita, pensada, imaginada, esta limitada e glorificada em paginas escritas, como os sonhos, os poemas, as coisas que fazem nexo, que são lembradas, absurdamente verdadeiras e não menos falsas, esta vida, é a qual mais me motiva, deixando a outra vida, cada vez mais em segundo plano, abandonada, esquecida, como substrato dessa vida formada de palavras. Assim por ela, imagino minha vida invertida, como vida paralela à verdadeira e almejada de outro plano, que não o terrestre, como dizem os físicos, um mundo paralelo quem sabe possível através dum buraco negro. Quem sabe não exista um outro eu neste momento escrevendo e imaginando uma vida como a minha, tão terrena e despropositada que somente um escritor altamente inspirado possa imaginar. Os medos se perderam pela selva em folhas e paisagens repetidas. Agora só restava a fome. O gesto e o afago foste vago, brando, esquecido. Os olhos não viam outra coisa se não o chão. Assim mesmo não se via ...

Ideias- Renê Paulauskas

São as ideias que movem o mundo. Elas são geradas ou absorvidas por nossos cérebros e modificam nossa química cerebral, às vezes como remédio, outras como droga. Uma ideia pode mudar um homem, para o bem ou para o mal. Pode mudar todo um pensamento de uma época, mudar o mundo. Mas a consciência que este processo se dá através das ideias é mais importante para mim neste momento do que querer provocar qualquer mudança em mim ou fora. Este mecanismo precisa ser estudado. Uma ideia sobre o que é uma ideia Uma ideia pode ser expressa por um símbolo: um desenho, uma escrita, um gesto, mas não é definida por seu símbolo, e sim pelo interpretador de seu símbolo que ao incorporar conteúdo à mensagem lida, define uma ideia ao seu símbolo. Esse processo se dá quase automaticamente, prestando pouca atenção a ele. Para exemplificar, talvez seja mais fácil quando esse processo é consciente, como num trabalho. Para escrever este texto tive uma ideia primeira e depois fui prolongando seus con...

O processo da loucura- Renê Paulauskas

O que me incomoda nas obras sobre a loucura é a artificialidade. Do tipo de alguém que faz uma caricatura tosca de algo que não entende. A loucura é antes de tudo um processo. Um processo de adensamento das coisas a um universo. Nunca sabendo se este universo existe de fato ou se é uma inventividade, ele nos engole, de um jeito tão denso que é impossível resistir mais do que uma semana nesse processo. Os universos são variados, mas se complementam, vários lados mesmo mundo, às vezes influenciado por uma simples ideia, que se torna tão verdadeira capaz de engolir tudo como um buraco negro. Digo isso porque sou Bipolar, falo da minha experiência. 

BREU-VINICIUS TETTI SILLA

O sonho não acabou...?: Mas reside numa caverna...@$ Donde bate pouca luz!!! Preciso acender minha lanterna: Pra enxergar nesse breu; E encontrar meus ideais do passado Como mudar o mundo Mas sei que é mudando  um pequeno espaço Que contribuo na revolução?: Não naquela sangrenta; Mas na das mentalidades Contribuo como eu posso; Com essas mal traçadas linhas...?:

A vida rotineira- Renê Paulauskas

O que vem a ser viver a vida? Poucos amigos, família, um trabalho, diversão umas duas vezes por semana... Esse parece o comum do viver a vida, viver numa sociedade que tem essas características individuais, mas que em conjunto, e se vista de longe, parece uma amálgama impenetrável, pelo menos aqui na cidade grande. Quanto menor o espaço cúbico entre as pessoas, maior o desconforto, o estresse. No interior, onde tem menos pessoas, se fala sem receio, sem medo. Isso não quer dizer que lá tenha menos preconceitos, muito pelo contrário, mas a vida fora de casa, do momento em que se pisa na rua, não é motivo para mudar o comportamento ou ter receios, é quase uma extensão da vida doméstica. Nas cidades como São Paulo, só se vive para trabalhar. A cidade é farta de cultura, de coisas pra se passar o tempo, mas inóspita. Não sei se eu é que estou moribundo, ou se esta cidade que me mata aos poucos. 

Miragens- Renê Paulauskas

São os desejos que me prendem nas miragens deste mundo, preciso me afastar dos desejos, para ver e sentir o nada que é verdadeiramente este mundo.

Fundo do mar- Renê Paulauskas

A respiração vai e vem, como as ondas, os pensamentos, uma fina sintonização com o meio. Algo de profundo existe na memória, algo no fundo do mar, em seu silêncio de organismos vivos de um novo mundo mais aparentemente tranquilo. Aparentemente, pois, quando uma lula come um caranguejo, é tão violento quanto.

O Amigo Fiel- Renê Paulauskas

O anjo caído em forma de demônio tinha a missão de junto com seres terrestres persuadir o ser para que nunca despertasse dessa realidade. Eram rostos conhecidos de muito tempo se não desde seu nascimento. Família, amigos, namoradas, todos se encaixavam no mesmo perfil. Então o ser foi até seu amigo e perguntou: “Se você pudesse realizar um desejo, o que pediria?”. Seu amigo o olhou e falou: “Pediria mais saúde”. E saúde foi dada ao seu amigo. Passou um tempo e ele fez de novo a pergunta ao amigo: “Se pudesse realizar um pedido o que pediria?” E ele disse: “Paz pra mim e pra todos” Então o ser pediu para seu amigo que ele deixasse de ser pasmo e fosse verdadeiro com ele. E por mais que ele soubesse de tudo, não poderia jamais contar com a sinceridade daqueles que faziam parte de sua vida já há muito tempo e que tudo, essas ideias, as sensações de viver num mundo falso de realidade duvidosa, começaria a sumir, dando espaço a realidade das coisas, como um conto de fadas que se esquece...

DESGASTADO PELO TABACO - VINICIUS TETTI SILLA

Navegantes perdidos Ao sabor do vento Às vezes aparece uma  corrente marítima Nem ao menos sabem se vão dar numa ilha ou continente SOS SOS SOS Se eu pelo menos consertasse minhas velas Elas poderiam me guiar por um caminho mais tranquilo Tenho que tomar cuidado com os redemoinhos e tempestades Ou pior Ser atirado à água Mas pelo menos sei nadar O fôlego que me é desgastado pelo tabaco Vou ter fé Para ir mais além e não para o além

MÚSICA- RENÊ

DESCONECTADO- RENÊ PAULAUSKAS

I O mundo não é Já foi Presos pela liberdade De um mundo irreal Somos todos alvos fáceis Destinos cruéis. II Até onde vai Essa carnificina Que faz de nós o gado Torturado Rompido Abatido E essa ilusão De nós sermos os abatedores Não os abatidos III Eu queria encontrar Só uma pessoa humana Pra poder conversar Sobre qualquer coisa Mas não existe nada Nada além de mim E deste micro universo virtual IV Ainda ando Falo Posso até rir Falar coisas sem nexo Nem tanto Mas o que me provoca É esta prisão De tudo parecer normal Quando estou preso Sufocado Inerte Suspenso Impotente V Imagino outro mundo sim Outros mundos E nenhum é tão desumano como este Imagino seres De todas as cores e jeitos Mas nenhum é tão ruim como aqui Nenhum é tão desumano Este mundo É certamente de máquinas Não de gente